quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Trânsito dos opostos

No mundo das aparências a defesa dos opostos soa-me como exagero, uma falácia de beleza e saúde. Tanto a apologia a magreza, considerando magreza IMC abaixo de 18, como o excesso de peso, IMC acima de 25 são parâmetros fashions das passarelas e tentam ditar moda e uma tendência que não é saudável.
Sou partidária do NEM, nem. Nem magra e nem obesa, apenas normal.

Quase sempre que leio noticiários defendendo a anorexia em nome de fama e glamour reforçando a falsa idéia de valoração pela aparência, detonando com auto-estima e sonhos de garotas saudáveis que não conseguem se submeter à insanidade de auto-agredir o próprio corpo e mente com a fome sem pensar nas conseqüências futuras a médio prazo. A obsessão por adentrar num mundo “fashion” cega a coerência permitindo apenas entrada ao imediatismo.

Loucura ainda é divulgar modelos “plus size” mulheres manequim 40/42, sendo que essa numeração é facilmente encontrada em lojas de roupas tamanho normal. Numeração “plus size” em todas as lojas especializadas é a partir do 46. Ou mesmo, considerar “gordinha” quem possui uma estrutura óssea de 98 cm de quadril sem levar em conta o IMC é um desrespeito por não considerar o tipo físico de diversas nacionalidades como, por exemplo, a brasileira.

Por outro lado, defender a obesidade ou até mesmo o excesso de peso como saudável é no mínimo ignorância das predisposições patológicas que isso acarreta.

Fala-se muito mais das doenças e deficiências nutricionais da magreza porque elas aparecem mais rapidamente e são visíveis do que as patologias da obesidade que são silenciosas e ocultas.

Assim sendo, cabe sempre uma boa reflexão da imagem que querem nos vender e por que querem defender esse ponto de vista. Quase sempre no que se refere a imagem, o que se vende é uma ilusão que dificilmente será bem vista no mundo real. É algo inatingível ou inverídico.

sábado, 2 de outubro de 2010

Viciados em e-drugs

Quase tudo que exista no mundo real pode ser encontrado e realizado pela internet. Estamos falando da comunicação rápida do Orkut, facebook, twitters. Dos relacionamentos de amizade, namoro e até sexo virtual propiciados pelas redes dos sites de relacionamentos e sites de encontros. Da propaganda e comércio de produtos diverso através do e-commerce; jogos que simulam a vida real.

O mundo virtual está quase tão real quanto nosso mundo concreto que, por vezes, confundimos o que é real, verdadeiro com o que é virtual e ilusório. Essa viagem ilusionista está tão aprimorada que até o submundo dos vícios e das drogas já existe. São drogas que prometem também um “barato”: euforia, sedação ou alucinação. Verdadeiros estados de êxtase consumindo os e-drugs. Como quase todas outras drogas, os e-drugs também já existem há dezenas de milhares de anos. São sons binaurais. Arquivos de áudio, que quando baixados e escutados afetam o cérebro suscitando emoções, mas dificilmente causam efeito semelhante aos LSD e haxixe. O efeito das ondas binaurais é real e foi descoberto em 1839 pelo físico Heinrich Wilhelm Dove e podem induzir ao estado de excitação e relaxamento. Esses sons diferem da música ou dos mantras pela sua principal característica, na qual cada ouvido capta um tom ligeiramente diferente do outro. O cérebro irá tentar compensar essa diferença de freqüência, fazendo uma sincronização, que no caso específicos das e-drugs, correspondem as ondas Teta (4 a 7 Hz), associadas ao sono REM(ondas na qual ocorrem os sonhos) e a pessoa nesse clima pode ou não “brisar”. Contudo toda a cautela referente aos relatos das “viagens” é valida, mesmo que ainda não tenhamos casos de viciados em e-drugs, só em net, devemos considerar os efeitos manifestados, não como anedóticos, mas frutos do efeito placebo. Extraordinariamente real, poderoso, sendo estudo da neurociência, porém mal compreendido. Acrescente a isso um belo marketing e pessoas influenciáveis e você tem na mão uma droga tão poderosa quanto os mais fortes alucinógenos sem preocupações éticas e reações neurofisiológicas, sendo sem dúvida, até então, mais saudáveis que as drogas reais.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A gordura encolhendo a infância


O excesso de peso e a obesidade infantil geralmente são negligenciados não só pelos familiares, mas por todos os adultos que acompanham a criança, seja a professora ou os médicos, acreditando que com o tempo e o crescimento, o excesso de peso irá desaparecer facilmente. Aqui vale lembrar que a obesidade é uma doença complexa com altos percentuais de insucessos e recidivas constantes, além de ter alto risco de se tornar um adulto obeso, assim, deveria ocupar um lugar de destaque nos cuidados com a criança.
 
De certo que, gradativamente, a obesidade aumenta com a idade, tanto no homem quanto na mulher, mas estamos encontrando cada vez mais, crianças com excesso de peso ou obesidade cada vez mais novo. Segundo OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) nos últimos 20 anos houve um aumento de 240% de obesidade entre crianças e adolescentes brasileiros.
 
A obesidade infantil se inicia com os pais, mesmo que estes não apresentem excesso de peso ou obesidade, mas devido aos maus hábitos, tanto aqueles que se referem à alimentação quanto ao sedentarismo. Contudo, estudos recentes indicam que a obesidade dos pais, ainda é o maior fator de risco para uma criança se tornar obesa. Estima-se que até 2010, 300 milhões de crianças sofram com a obesidade e seus riscos à saúde, além de estar encolhendo a infância e com isso mudando o comportamento dos jovens.

Sem considerarmos os diversos fatores de risco à vida, já que o excesso de peso na infância programa o organismo para uma vida inteira de saúde frágil, vemos crianças sofrendo de por doenças associadas à obesidade que se instalando cada vez mais cedo.
 
Lembrando sempre que a obesidade mantida na infância e na adolescência tem grande possibilidade de se perpetuar na vida adulta, se tornando mais resistente a ser eliminada. A gordura corporal favorece a antecipação da puberdade, é o que aponta um estudo da Universidade Federal de Pelotas (RS), que acompanhou mais de 2 mil mulheres desde o nascimento.

Quanto maior a velocidade de crescimento e o peso nos primeiros anos de vida, especialmente entre uma no e meio aos três anos e meio, maior o risco de a primeira menstruação ocorrer antes dos 12 anos de idade.

O excesso de peso sinaliza para o cérebro que a criança é mais velha, estando pronta para as transformações do corpo. A hipófise e o hipotálamo são ativados e passam a secretar hormônios que estimulam os ovários e testículos a produzir estrógeno e testosterona. Também o tecido gorduroso produz e transforma hormônios que estimulam o amadurecimento sexual e antecipam os sinais de adolescência. As células gordurosas secretam leptina, hormônio que atua no hipotálamo e na hipófise. O excesso de leptina acelera as atividades dessas áreas que produzem mais hormônios sexuais. Ainda, podem desencadear a puberdade precoce que é uma doença quando os sinais ocorrem antes dos oito anos nas meninas e antes dos nove nos meninos. Isso pode levar a problemas físicos, como baixa estatura entre outros.

Todas essas mudanças de comportamento que as crianças vêm tendo como beijar na boca com apenas dez anos de idade e outros modos mais erotizados não se dá apenas pelo que assistem na TV, mas se deve também pelas mudanças hormonais precoces, afirma Mauricio de Souza Lima, hebiatra do HC de São Paulo. Até mesmo por que as crianças que mais assistem TV são as crianças mais obesas e fazem menos exercícios físicos, formando um ciclo vicioso.


 
Fonte: Caderno Saúde C9, Folha de SPaulo, de 03 de junho de 2010












segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Exercício como remédio

Os exercícios podem atuar como medicamentos, tanto prevenindo algumas doenças quanto ajudando no tratamento de outras. Contudo, precisam ser prescritos como os remédios. Idosas que se exercitam regularmente acima de 150 minutos por semana (25 min./dia), consomem, em média, 34% menos remédios do que as mulheres que se exercitam apenas 10 min./dia, as quais são consideradas sedentárias. Os exercícios regulares agem no corpo todo. Por exemplo: com apenas uma caminhada pode-se reduzir a ansiedade e diminui-se o risco de depressão. Também diminui em 73% o risco de demência senil vascular.

As mulheres que caminham com freqüência têm um risco 23% menor de desenvolver câncer de mama. Além de diminuir os níveis de LDL (“colesterol ruim”) e aumentar o HDL (“colesterol bom”), diminuindo o risco cardiovascular. O uso de antiabéticos e anti-hipertensivo e de drogas para o controle do colesterol cai pela metade para os que andam de 15 a 30 quilômetros por semana. A vesícula também é beneficiada, tendo o risco de obter pedras, reduzido. Ainda os exercícios físicos melhoram a sensibilidade à insulina, diminuindo a taxa de glicose em circulação, ajudando a prevenir e controlar o diabetes.

Contudo a quantidade de exercícios deve ser prescrita de forma personalizada, considerando o perfil de cada um e o objetivo a ser atingido. “Se a dose for baixa demais, não terá efeito. Se excessiva, há riscos colaterais, como lesões musculares, articulares e até morte súbita”, diz Lazzoli

Assim sendo, mexam-se!
Seja caminhando, pedalando, dançando, nadando. O importante é ter regularidade e acompanhamento profissional, seja de um Médico do Esporte, de um fisiatra, fisioterapeuta ou profissional de educação física.

Fonte: Celafiscs (Centro de Estudos e Laboratório de Aptidão Física de São Caetando do Sul)

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Longevidade

“A capital mundial da longevidade” é Okinawa, uma província ao sul do Japão, formada por pequenas ilhas, na qual habitam o maior número de centenários do mundo. Sendo eles autônomos em 80% dos seus velhos, dispensando cuidados hospitalares. E qual o segredo para viver tanto? Segundo o geriatra e cardiologista Makoto Suzuki, diretor do centro de longevidade de Okinawana, só a hereditariedade não justifica a longevidade, mas claro que ajuda. Porém, além da genética, outros fatores influenciam podendo aumentar em até 17 anos a vida. São eles: bons hábitos alimentares, atividade física, auto-ajuda (cultivo da autonomia e da espiritualidade) e ajuda mútua (apoio social ou voluntarismo).



Para Makoto, qualquer pessoa de qualquer país pode seguir essa receita e ter vida longa. Mas aqui eu pergunto: para quê viver? Por que você quer viver tanto? Se for para cumprir um propósito nobre, muito que bem. Alias só se vive muito se incluirmos ajuda ao próximo, (ajuda mútua) não é?

 
 
Fonte: FolhaSP - caderno Saúde pag C9 de 11/08/2010

terça-feira, 27 de julho de 2010

Bater para Educar?

Nos últimos dias esse assunto ganhou manchetes no Brasil, depois que o governo federal decidiu transformar o “tapa pedagógico” e castigos físicos em crime. Talvez, alguns tenham refletido sobre o assunto, outros não.

Essa questão por si só já se apresenta tão antagônica, e a meu ver, segue a mesma lógica que permeia criar e manter um departamento de Guerra para defender a Paz.

Achei muito interessante a matéria da capa da Revista Veja deste mês: “Palmadinha fora da Lei”, na qual percorre a história dos castigos físicos iniciada pelos Esparta como recurso na educação de meninos e moços. Naquela época “uma vez ao ano, os meninos eram chicoteados na frente do altar dedicado à deusa Ártemis, protetora da caça e da cidade, num ritual que visava a premiar os mais resistentes.” Esparta desapareceu, mas os castigos sobreviveram.

Naquela época, suportar a dor física era mais uma questão de sobrevivência futura, na qual a resistência física era essencial, do que de educação moral.

Ao longo de trinta anos a Universidade de São Paulo realizou pesquisas com crianças que sofriam castigos físicos na infância e concluíram que essas crianças chegavam à vida adulta, traumatizadas e se mostravam mais agressivas em situações corriqueiras do dia-a-dia”. Também sabemos que as crianças tendem a fazer aquilo que fazemos e não aquilo que falamos para fazerem. Assim sendo, nossas atitudes são mais educativas do que nossa fala.

E plagiando Rosely Sayão “educar é introduzir criança ao mundo do convívio civilizado. Bater, portanto, não faz o menor sentido”.

É possível educar sem usar de força física ou aplicar sansões humilhantes. Isso, porém não quer dizer que as crianças e jovens possam fazer o que bem entendam, entregando-se aos seus impulsos e caprichos, sem precisarem de limite. Alias, dar limites é um ato de amor. Mas para isso é necessário que o educador tenha autocontrole e tenham a segurança de manter-se firme na sua decisão.

Na minha concepção o tal “tapa pedagógico” deveria ser usado em último recurso e em situações de perigo eminente, mas como toda sensação de poder vicia, pode acabar sendo usado fora desse contexto. Como toda lei de difícil aferição e controle, sua existência pode incorrer em abuso, em uso distorcido. Para que isso não ocorra, novamente caímos na mesma questão, vamos punir o mau uso do excesso de agressão com outra agressão? Para que essa nova lei nem precise ser usada será necessário um trabalho de conscientização do desenvolvimento humano. E quem faria isso e em qual momento da vida dos pais?


Dados retirados da Veja ed. 2174 ano 43 nº29 e do encarte equilíbrio assinado por Rosely Sayão da Folha de SP de 27 jul./10

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Viver um grande amor

Viver um grande amor. Todos querem e muitos correm atrás, mas nem todos conseguem. Amor é facilmente confundido com paixão.

Sentimento misterioso, irracional, avassalador, mas não indecifrável. A ciência caminha em busca de uma fórmula, ainda meio as cegas, contudo já descortina a silueta escondida.
Criamos teorias mirabolantes, religiosas, comportamentais, estéticas, mas a ciência tem desvendado que a atração é guiada por processos bioquímicos, pelos hormônios, a favor da preservação. Ou seja, a paixão em nada tem a ver com romantismo. Isso também não quer dizer que não tenha nada a ser feito. Podemos sim dar uma forcinha.

É difícil não perder o otimismo, mas pesquisas indicam que após a 38ª relação que suas chances de encontrar o par ideal chegam ao auge. Mesmo sendo utópico é essa a estatística. Deveras interessante já que pesquisas também indicaram que 99,81% dos casais estudados não seguiam à risca a fórmula. Matemáticos e cientistas esquecem que as emoções não são matemáticas...são hormonais e mnêmicas, mas podemos favorecê-las com nosso comportamento, fazendo melhores escolhas.

Quando estamos sozinhos em busca de um grande amor, procuramos freqüentar “baladas” e bares. Escolha errada. Dificilmente um grande amor, um relacionamento sério será originário de um encontro de um desses lugares. Nada contra baladas e bares, mas lugares como esses já carregam o estigma de espaços para “curtir” sem compromisso. A maioria que vai para esses lugares, já vai com essa disposição, assim dificilmente inicia uma conversa, um encontro ou um relacionamento com outra intenção que não seja aproveitar o momento presente e momentâneo. As pesquisas confirmam essa tendência. 68% dos relacionamentos sérios e mais duradouros e 53% dos passageiros as pessoas são apresentadas por conhecidos em comum. E 60% dos romances iniciam-se em ambientes semiprivados como escolas, trabalho ou uma festa de conhecidos. Ou seja, lugares nos quais já existe uma afinidade naturalmente maior. Apenas 10% dos romances iniciaram-se em bares e baladas.

Estar em boas condições de saúde física e financeira também influencia a paixão. Experimentos demonstraram que mulheres se sentem mais atraídas para um relacionamento sério por homens que apresentam uma situação financeira estável, do que por homens mais bonitos. Inconscientemente isso pode traduzir segurança, boa condições de gerar e manter uma prole. Já para os homens a beleza e juventude são pontos fortes para os homens. E novamente inconscientemente isso traduza procriação de uma prole saudável. Ou seja, paixão está ligada a condições adequadas de gerar e manter descendentes saudáveis. Está ligada a manutenção da espécie.
E nós o que fazemos, não temos participação alguma nisso?
Temos sim, muita participação na manutenção da paixão e na transmutação da paixão em amor. O sistema fisiológico inconsciente nos ajuda a achar, manter é só conosco, através das nossas atitudes e comportamentos. E daí entra outra novela, com outros tantos elementos inconscientes que favorecem ou não um relacionamento.


Colaboração de Jeanne Gallegari, Super interessante Edição 278