quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Sentimento trancafiado

Antes de adentrarmos no texto, peço licença e agradeço ao site http://www.manualdasencalhadas.com.br/, ao qual eu escrevia pelo espaço e por emprestar este texto, que apesar de ser minha autoria, primeiramente foi divulgado noutro site.

Você já passou por isso? Provavelmente sim. Esconder, omitir, dissimular ou sublimar um sentimento por qualquer razão?

É lindo e poético dizer que vive intensamente seus sentimentos, que se é uma pessoa intensa, mas “na real” isso é bem pouco provável.

Essa liberdade maravilhosa de viver abertamente um sentimento, deixando-o extravasar sem toda sua intensidade é quase uma utopia na sociedade. A menos que seja uma “porra louca” que aja por impulso ou por qualquer preço dá pra bancar os sentimentos em toda sua intensidade. E não vivemos sós.

Cada ato tem suas conseqüências e reverberações e podem se prolongar extensamente atingindo proporções fora do nosso controle.

Vivenciar um sentimento intenso em toda sua potencialidade saí do âmbito pessoal e invade o coletivo. Direta ou indiretamente a manifestação sempre afetará outro. Não há intensidade sem manifestação. Não há luz intensa sem ser vista. Não há som intenso sem ser ouvido. Cheiro, toque ou energia intensa sem ser sentida.

Ao afetar o outro está intrínseco, desejos, fantasias, ganhos e perdas, escolhas e riscos que podemos não estar dispostos a correr ou preparados para assumir.

Intensidade sugere fugacidade e para prolongá-lo ou manter sua intensidade seguro é trancafiá-lo. Proibido ou impossível de ser vivido em toda sua intensidade, exposto em sua plenitude é levado a finitude. Guardado, escondido, controlado na sua manifestação é mantido vivo, mesmo que tênue.

Certo ou errado, não importa, tanto faz. O que dita à norma é a nossa história, nossos traumas, complexos, necessidade e coragem.

O que vale é que é sempre uma possibilidade!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Quem dorme pouco perde músculo

Dormir menos de seis horas por noite pode não interferir na perda de peso, mas leva o indivíduo que está em dieta alimentar a perder mais massa magra do que gordura. Pesquisa realizada pela Universidade de Chicago (EUA) realizou uma pesquisa durante duas semanas com 2 grupos com os mesmos aportes calóricos na dieta alimentar, na qual a única variante era a quantidade de horas de sono. Um grupo dormiu oito horas e meia, enquanto o outro grupo dormiu cinco horas e meia. Essa pesquisa foi publicada na revista “Annals of Internal Medicine”. A média de peso perdida foi a mesma para ambos os grupos, contudo a quantidade de gordura eliminada é quatro vezes menor para quem dorme menos. E a diferença não fica só por aí. A sensação de saciedade também é maior para quem dorme mais. Quem dormiu menos de seis horas por noite sentiu dificuldade em controlar a fome e teve o apetite aumentado.

Os pesquisadores atribuem essa diferença a produção de grelina, hormônio que provoca a fome e reduz o gasto energético. Quem dorme menos produz mais grelina, o que é natural já que o corpo entende que se está acordado irá precisar de mais energia. A grelina ácida, substância que aumenta o apetite também tem sua produção aumentada com menos horas de sono.

Quer emagrecer?

Além de comer corretamente, fazer exercícios, durma bem e o suficiente!

Para saber mais sobre obesidade visite o site: http://www.abcdaobesidade.com.br



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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Liberar ou não liberar?

Ontem ocorreu o plebiscito sobre liberação do THC (tetrahidrocannabinol) nos E.U.A. e aqui no Brasil esse assunto também é muito discutido. Alguns são contra e outros a favor e ambos justificam e argumentam por várias razões. Todos os argumentos, vistos e analisados isoladamente possuem suas vantagens e parecem atingir seus objetivos. Contudo sabemos que o ser humano ainda precisa de freios humanos, limites para fazer cumprir o que é certo. Os argumentos mais defendidos são da comercialização para coibir o tráfico e do uso medicinal. Ainda não tenho opinião formada sobre tal assunto, mas vale a reflexão.

Bem, em outros textos seguintes irei colocando outros argumentos e percorrendo um pouco mais para que possamos juntos deliberar e rascunhar uma conclusão.

Até onde sei, estudei e vi durante meu estagio em hospitais psiquiátricos foi que apesar da maconha não fazer mal para a saúde como outras drogas, se assemelhando ao malefício do cigarro e de não causar dependência química, apenas psicológica, ela é uma porta de entrada para uso de outras drogas e pode ser o “start” para psicoses em pessoas que já possuem a predisposição.

Arthur Guerra, psiquiatra responsável pelo Grupo de Drogas da Faculdade de Medicina da USP afirma que já desconfiava da relação entre o uso crônico da maconha e o aparecimento de casos psicóticos, comprovados agora pelo estudo publicado no peródico “Archives of General Psychiatry”

A ONU estima que 190 milhões de pessoas usem maconha no mundo todo. Desses a pesquisa selecionou 3.801 homens e mulheres entre 26 e 29 anos que usavam skunk- maconha mais forte e com maiores quantidades de psicoativo. A pesquisa também avaliou 228 pares de irmãos para estudo sugerindo que fatores genéticos e/ou ambientais têm menos chance de serem responsáveis pela psicose e pelas alucinações.

Esse estudo concluiu que jovens que fumam maconha há seis anos ou mais, apresentam risco maior (2x mais) de terem episódios psicóticos de alucinação ou delírios em relação a pessoas que nunca consumiram a droga. Contudo, não especificaram quantidade de cigarros/dia e nem a freqüência de uso.

A maconha pode ter bom uso medicinal, mas quem controlaria a venda e uso? Também, ainda não se sabe qual efeito colateral do uso prolongado mesmo fazendo uso medicinal, já que todo e qualquer droga medicamentosa possui sua contra-indicação e feito colateral.

Qual é a real intenção de quem defende essa causa? Curar ou usar? Não há outros medicamentos comprovados que causem menos danos ou riscos aos doentes?

Qual seria o custo/benefício do uso medicamentoso?

Há muito que percorrer ainda. Não devemos cair na tentação de defender ou proibir analisando um único prisma, todos devem ser considerados e considerados em sobreposição.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

E pra manter?

Essa frase cabe em diversas áreas e há muito é falada: “É mais fácil comprar, ter, conseguir do que manter”. Variadas pesquisas são realizadas para saber o que atrai e o que une os casais, mas nem tantas são realizadas para saber o que mantém a união daqueles que se unem. Que sabemos empiricamente é que não é fácil manter-se unido, casado.
Será que a “química” que existia entre o casal acaba?
Será que separações são contagiosas como a obesidade e se propagam entre os ciclos sociais, entre os amigos?
Os laços religiosos conseguem dar conta de manter um relacionamento amoroso?
Separações e divórcios são culturais? Por que elas ocorrem?

Ao certo ainda não se pode responder. Poucas pesquisas foram realizadas nesse sentido. Mesmo porque pode haver uma variável infinita delas.
Contudo, sabe-se que cada vez mais o número de separações e desquites vem aumentando. Engraçado que o número de casamentos também. Enfim...
Pesquisas realizadas pelo Núcleo de Estudos da População da Unicamp mostram que o que Deus uniu o homem separa sim, independentemente da religião. A proporção de separações é semelhante à proporção das crenças religiosas, ou seja, em todas as fés a proporção de separações é similar.
O que leva pessoas a unirem-se geralmente é a satisfação na relação. E como separar-se, hoje, não este mais estigmatizado, é menos burocrático, juridicamente mais fácil, e rápido ela é sempre uma possibilidade. Se tradição e religião não são mais fatores determinantes para manter uma relação pode, ao contrário, contribuírem para as separações. Cada vez mais as pessoas vêm de famílias desfeitas, de pais separados que deixam marca no inconsciente das crianças e adolescentes que mais tarde se casarão e mais facilmente se separarão, pois já têm na sua história introjetada a separação dos pais, parentes próximos ou amigos. Sociologicamente há a mídia que reforça essa tendência nas novelas, filmes e programas que projeta a separação como algo inócuo, indolor e sem conseqüências emocionais e financeiras. De certo que o feminismo também interferiu na decisão pela separação, uma vez que reforça a autonomia financeira e moral da mulher, liberando-a da influência e dependência da família e da religião.

Ainda o que fazem casais adiarem a decisão em se separarem é os filhos e a questão financeira. Contudo os filhos só retardam a decisão durante a gravidez e o 1º ano de vida, depois as chances de separação volta a ser igual à de casais sem filhos. E a condição financeira também não é mais problema já que a maioria das mulheres, agora, trabalha fora.

Embora não se saiba o que é mais relevante para separação, sabem-se alguns dos fatores preponderantes para o sucesso da união e nestes, pelo menos o que as pesquisas indicam, não está o fator religioso.
Está a distribuição igualitária das tarefas, o bom diálogo, o bom relacionamento sexual do casal e a boa saúde física e financeira da família. Outro fator que ajuda a manter casais unidos é conviver com outros casais unidos. Pesquisa recente mostrou que separação é contagiosa. Quando casais se relacionam com amigos próximos que estão se divorciando ou acabaram de se divorciar, as chances de que se divorciem aumenta em 75%. Quando o desquitado está a dois graus de separação, ou seja, é amigo do amigo, o efeito é menor, mas as chances, ainda assim, aumentam em 33%. Isso se dá não pela sedução erótica dos amigos solteiros ou do adultero cônjuge. Nem porque os divorciados transparecem levar uma vida livre e feliz, mas por identificação e admiração. Com isso, são usados como modelos desejados a serem seguidos, a serem imitados. Essa ilusão de modos a serem seguidos aumenta, é lógico, quanto mais o amigo é idealizado e distante. Aquele que não o considera como amigo, mas você sim o considera. Ou seja, aquele “amigo” que não se mostra seu amigo. Mas você, mesmo assim, o considera seu amigo.

Então, para mantermos um casamento vivo, pelo que as pesquisas indicam é preciso cuidar da distribuição das tarefas, da comunicação do casal, da compatibilidade sexual e da saúde física e financeira, além da convivência com amigos casados. Com todas essas variáveis para nos preocupáramos e cuidarmos realmente não é tarefa fácil manter um casamento, não é pra qualquer um.
Viva a união!!!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Trânsito dos opostos

No mundo das aparências a defesa dos opostos soa-me como exagero, uma falácia de beleza e saúde. Tanto a apologia a magreza, considerando magreza IMC abaixo de 18, como o excesso de peso, IMC acima de 25 são parâmetros fashions das passarelas e tentam ditar moda e uma tendência que não é saudável.
Sou partidária do NEM, nem. Nem magra e nem obesa, apenas normal.

Quase sempre que leio noticiários defendendo a anorexia em nome de fama e glamour reforçando a falsa idéia de valoração pela aparência, detonando com auto-estima e sonhos de garotas saudáveis que não conseguem se submeter à insanidade de auto-agredir o próprio corpo e mente com a fome sem pensar nas conseqüências futuras a médio prazo. A obsessão por adentrar num mundo “fashion” cega a coerência permitindo apenas entrada ao imediatismo.

Loucura ainda é divulgar modelos “plus size” mulheres manequim 40/42, sendo que essa numeração é facilmente encontrada em lojas de roupas tamanho normal. Numeração “plus size” em todas as lojas especializadas é a partir do 46. Ou mesmo, considerar “gordinha” quem possui uma estrutura óssea de 98 cm de quadril sem levar em conta o IMC é um desrespeito por não considerar o tipo físico de diversas nacionalidades como, por exemplo, a brasileira.

Por outro lado, defender a obesidade ou até mesmo o excesso de peso como saudável é no mínimo ignorância das predisposições patológicas que isso acarreta.

Fala-se muito mais das doenças e deficiências nutricionais da magreza porque elas aparecem mais rapidamente e são visíveis do que as patologias da obesidade que são silenciosas e ocultas.

Assim sendo, cabe sempre uma boa reflexão da imagem que querem nos vender e por que querem defender esse ponto de vista. Quase sempre no que se refere a imagem, o que se vende é uma ilusão que dificilmente será bem vista no mundo real. É algo inatingível ou inverídico.

sábado, 2 de outubro de 2010

Viciados em e-drugs

Quase tudo que exista no mundo real pode ser encontrado e realizado pela internet. Estamos falando da comunicação rápida do Orkut, facebook, twitters. Dos relacionamentos de amizade, namoro e até sexo virtual propiciados pelas redes dos sites de relacionamentos e sites de encontros. Da propaganda e comércio de produtos diverso através do e-commerce; jogos que simulam a vida real.

O mundo virtual está quase tão real quanto nosso mundo concreto que, por vezes, confundimos o que é real, verdadeiro com o que é virtual e ilusório. Essa viagem ilusionista está tão aprimorada que até o submundo dos vícios e das drogas já existe. São drogas que prometem também um “barato”: euforia, sedação ou alucinação. Verdadeiros estados de êxtase consumindo os e-drugs. Como quase todas outras drogas, os e-drugs também já existem há dezenas de milhares de anos. São sons binaurais. Arquivos de áudio, que quando baixados e escutados afetam o cérebro suscitando emoções, mas dificilmente causam efeito semelhante aos LSD e haxixe. O efeito das ondas binaurais é real e foi descoberto em 1839 pelo físico Heinrich Wilhelm Dove e podem induzir ao estado de excitação e relaxamento. Esses sons diferem da música ou dos mantras pela sua principal característica, na qual cada ouvido capta um tom ligeiramente diferente do outro. O cérebro irá tentar compensar essa diferença de freqüência, fazendo uma sincronização, que no caso específicos das e-drugs, correspondem as ondas Teta (4 a 7 Hz), associadas ao sono REM(ondas na qual ocorrem os sonhos) e a pessoa nesse clima pode ou não “brisar”. Contudo toda a cautela referente aos relatos das “viagens” é valida, mesmo que ainda não tenhamos casos de viciados em e-drugs, só em net, devemos considerar os efeitos manifestados, não como anedóticos, mas frutos do efeito placebo. Extraordinariamente real, poderoso, sendo estudo da neurociência, porém mal compreendido. Acrescente a isso um belo marketing e pessoas influenciáveis e você tem na mão uma droga tão poderosa quanto os mais fortes alucinógenos sem preocupações éticas e reações neurofisiológicas, sendo sem dúvida, até então, mais saudáveis que as drogas reais.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A gordura encolhendo a infância


O excesso de peso e a obesidade infantil geralmente são negligenciados não só pelos familiares, mas por todos os adultos que acompanham a criança, seja a professora ou os médicos, acreditando que com o tempo e o crescimento, o excesso de peso irá desaparecer facilmente. Aqui vale lembrar que a obesidade é uma doença complexa com altos percentuais de insucessos e recidivas constantes, além de ter alto risco de se tornar um adulto obeso, assim, deveria ocupar um lugar de destaque nos cuidados com a criança.
 
De certo que, gradativamente, a obesidade aumenta com a idade, tanto no homem quanto na mulher, mas estamos encontrando cada vez mais, crianças com excesso de peso ou obesidade cada vez mais novo. Segundo OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) nos últimos 20 anos houve um aumento de 240% de obesidade entre crianças e adolescentes brasileiros.
 
A obesidade infantil se inicia com os pais, mesmo que estes não apresentem excesso de peso ou obesidade, mas devido aos maus hábitos, tanto aqueles que se referem à alimentação quanto ao sedentarismo. Contudo, estudos recentes indicam que a obesidade dos pais, ainda é o maior fator de risco para uma criança se tornar obesa. Estima-se que até 2010, 300 milhões de crianças sofram com a obesidade e seus riscos à saúde, além de estar encolhendo a infância e com isso mudando o comportamento dos jovens.

Sem considerarmos os diversos fatores de risco à vida, já que o excesso de peso na infância programa o organismo para uma vida inteira de saúde frágil, vemos crianças sofrendo de por doenças associadas à obesidade que se instalando cada vez mais cedo.
 
Lembrando sempre que a obesidade mantida na infância e na adolescência tem grande possibilidade de se perpetuar na vida adulta, se tornando mais resistente a ser eliminada. A gordura corporal favorece a antecipação da puberdade, é o que aponta um estudo da Universidade Federal de Pelotas (RS), que acompanhou mais de 2 mil mulheres desde o nascimento.

Quanto maior a velocidade de crescimento e o peso nos primeiros anos de vida, especialmente entre uma no e meio aos três anos e meio, maior o risco de a primeira menstruação ocorrer antes dos 12 anos de idade.

O excesso de peso sinaliza para o cérebro que a criança é mais velha, estando pronta para as transformações do corpo. A hipófise e o hipotálamo são ativados e passam a secretar hormônios que estimulam os ovários e testículos a produzir estrógeno e testosterona. Também o tecido gorduroso produz e transforma hormônios que estimulam o amadurecimento sexual e antecipam os sinais de adolescência. As células gordurosas secretam leptina, hormônio que atua no hipotálamo e na hipófise. O excesso de leptina acelera as atividades dessas áreas que produzem mais hormônios sexuais. Ainda, podem desencadear a puberdade precoce que é uma doença quando os sinais ocorrem antes dos oito anos nas meninas e antes dos nove nos meninos. Isso pode levar a problemas físicos, como baixa estatura entre outros.

Todas essas mudanças de comportamento que as crianças vêm tendo como beijar na boca com apenas dez anos de idade e outros modos mais erotizados não se dá apenas pelo que assistem na TV, mas se deve também pelas mudanças hormonais precoces, afirma Mauricio de Souza Lima, hebiatra do HC de São Paulo. Até mesmo por que as crianças que mais assistem TV são as crianças mais obesas e fazem menos exercícios físicos, formando um ciclo vicioso.


 
Fonte: Caderno Saúde C9, Folha de SPaulo, de 03 de junho de 2010