Mostrando postagens com marcador Transtornos mentais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Transtornos mentais. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 29 de março de 2012

Automutilação



Diferentemente do que pode parecer, esse não é um ato praticado para chamar a atenção. Nem ao menos é o suicídio. Em menos de 1% dos jovens que se mutilam e a intenção desses atos era o suicídio. Muito pelo contrário. A maioria que se automutila, um em cada 12 adolescentes, comumente mulheres entre 15 e 24 anos, costumam cobrir seus cortes, batidas e queimaduras com as roupas e só são descobertos por acaso. Em geral, é a tentativa de aliviar uma dor emocional, angústia, raiva ou frustrações. Também, menos frequente, pode ser praticada como substituição de dores corpóreas. Isto é, uma dor maior para substituir uma dor menor.

Um estudo realizado no King`s College, em Londres e na Universidade de Melbourne, na Austrália, com 1.802 adolescentes acompanhados por 16 anos foi publicado na revista médica “Lancet”, afirma que menos de 1% dos jovens que se mutilavam, nantinham esse comportamento quando adultos, levando os pesquisadores a concluírem que, na maioria dos casos, o problema se resolve espontaneamente. Contudo isso não significa que seja dispensável tratamento, pois a automutilação está associada a doenças psiquiátricas como depressão, transtorno Bipolar, Síndrome do pânico, Anorexia, Bullying, epilepsia, ansiedade generalizada e merece receber atenção. Dar broncas e represálias ao descobrir esse comportamento dos filhos só piora o quadro. O melhor é recorrer à ajuda médica a fim de ser avaliado e tratado, já que alguns fatores de risco podem estar associados. Além da depressão e ansiedade já citados, abuso de álcool, uso de maconha, família desestruturada, histórico de agressão física na infância, personalidade impulsiva e saber que algum conhecido pratica a automutilação.

O automutilador tende a ter grandes dificuldades para se expressar verbal ou emocionalmente, portanto, não consegue falar publicamente sobre suas angústias nem chorar diante de outras pessoas, por vezes nem quando estão sozinhas. Essa dificuldade de expressão acaba, em muitos casos, sendo um forte fator que desencadeia o comportamento automutilador. Não possui amor próprio e usualmente define a si mesmo como sendo "um lixo humano". Desse modo, alguns tendem a se afastar da família e dos amigos.

Como acontece em outras compulsões, após cessar com a ação de mutilar-se, sentem-se extramente culpados e envergonhados da sua atitude. Alguns abandonam qualquer tipo de atividade em que seja necessária a exibição do corpo, como ir à praia ou a um clube, para que seus cortes e cicatrizes permaneçam ocultas e, desse modo, não tenham que falar sobre o problema. Não possui qualquer expectativa com relação ao futuro, pois se considera incapaz de alcançar qualquer coisa realmente boa. E ainda que consiga não é o bastante para que abandone as práticas autoagressivas, o que faz com que retorne à mesma falta de expectativas a respeito da vida.

Alguns indivíduos afirmam que escrever (textos, poemas, contos, músicas, etc.) lhes parece de grande ajuda, como uma forma de expressar suas emoções, o que não conseguem fazer de outras formas. Desse modo, a necessidade de se automutilar diminui significantemente.

Quando o indivíduo consegue superar a doença, o primeiro problema com que se depara é a sensação de vazio. Muitos ex-automutiladores afirmam que se tornaram incapazes de qualquer sentimento comum ao ser humano, como ódio, raiva, indignação, medo, insegurança, alegria, amor, etc. Sentem-se apáticos e desinteressados com relação a qualquer assunto que os rodeie. "Se alguém morresse ao meu lado, eu não daria a mínima" é uma sentença que bem traduz esse estado de espírito. Tal sensação tem sido observada em vários indivíduos, porém, não se estende por muito tempo. Ainda que tenha alguma recaída, o ex-automutilador tende a sentir cada vez menos falta do comportamento autoagressivo e, com o tempo, o abandona completamente.

Cicatrizes próximas podem ser sinal de problema. Uma forma comum de AM envolve fazer cortes na pele dos braços, nas pernas, coxas e abdômen. Os locais de lesão são, geralmente, áreas escondidas de uma possível detecção por outras pessoas. O número de métodos automutilantes se restringe à criatividade do indivíduo.

Exemplos de formas de automutilação, além de se cortar:

• Esmurrar-se, chicotear-se

• Morder as próprias mãos, lábios, língua, ou braços

• Apertar ou reabrir feridas (Dermatotilexomania)

• Arrancar os cabelos (Tricotilomania)

• Queimar-se, incluindo com cigarro, produto químicos (por exemplo, sal e gelo)

• Furar-se com agulhas, arames, pregos, canetas

• Beliscar-se,

• Ingerir agentes corrosivos, alfinetes

• Envenenar-se, medicar-se (por exemplo, exagerar na dose de remédios e/ou álcool), sem intenção de suicídio.

• bater a própria cabeça contra a parede,

A associação psicoterapia e medicação tem se mostrado eficaz nos casos de automutilação. A psicoterapia, nestes casos, tem como um dos objetivos ajudar o paciente a identificar outras formas de lidar com frustrações que sejam mais eficazes do que seu comportamento. Ainda não há medicação específica indicada para que o paciente pare de se mutilar, entretanto, a medicação pode ser indicada para alívio dos sintomas depressivos e ansiosos que podem colaborar para a manutenção do comportamento.

O ideal é procurar um bom profissional, um psicólogo ou psiquiatra, que possa identificar as causas do problema no paciente e tratá-las

O automutilador necessita, sobretudo, do apoio da família e dos amigos.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O Belo


Platão foi o primeiro a formular explicitamente a pergunta e moldar uma resposta. O que é o Belo? O belo é identificado com o bem, com a verdade e a perfeição. Para ele, o Belo existe independentemente do mundo concreto. O belo pertence ao “mundo das ideias”, da criação. O Belo era um ideal que não pertencia ao humano, aos traços individuais e a manifestação das suas emoções. A verdade é que o ideal de beleza sempre existiu e já foi pautado em proporções ideias matemáticas, relações geométricas fixas.


Para Aristóteles: “o belo não pode ser desligado do humano, está em nós” E se é do humano, é volátil, temporal e cultural. Está intrínseco valores e representações e por essa razão variam conforme o tempo, país e crença da época.

O Belo feminino e desejado já pertenceu as “gorduchinhas” com acentuadas curvas corpulentas que simbolizavam fartura.



 
  “As três graças”, obra-prima de Rubens no séc. XVII, hoje estariam mais para “as três desgraças”, por termos atualmente um ideal estético feminino que se aproxima das formas esguias e com músculos definidos da arte greco-romana.
 
 
Madona do cravo de  Leonardo da Vinci
 
 
 A modelo Isabeli Fontana com os filhos mostrando corpo esguio

O modelo de beleza hoje representa uma pessoa bem sucedida, autônoma, moderna, controlada, inteligente, jovem, atlética e saudável. Essa tensão psicológica, reforçada pelas mídias com bombardeio de imagens, reforçam ideologia do ter, fazendo-as reféns da opinião alheia e de imagens muitas vezes irreais, esquecendo os próprios valores e quem são.  


Especificamente, se falarmos da estética do corpo, estaremos falando de um universo único, particular e personalizado, que pensa, sente, fala e se movimenta de maneira que lhe é própria e peculiar, ou seja, será ainda mais variável. A estética do corpo está intimamente ligada a autoimagem e autoestima de cada um. Daí a importância em se ter um bom autoconhecimento para termos uma autoimagem mais próxima da real.
A imagem de cada corpo é a imagem que, consciente ou inconscientemente, fazemos de nós mesmos e queremos que os outros acreditem que somos.
O corpo, ou nossa imagem, resume quem somos física, social e intelectualmente.
A imagem corporal se desenvolve durante toda a vida, do nascimento até a morte. É uma estrutura complexa e subjetiva, de reconstrução incessante, resultante do processamento de estímulos externos advindos da aceitação dos outros, principalmente os pais e da nossa própria aceitação.
Nossas características físicas apesar de serem herdadas, hoje podem ser levemente modificadas e também voluntariamente interagimos com o mundo, influenciando-o e modificando a forma de ser e estar através de maquiagens, ginásticas e cirurgias plásticas.

Quando temos uma visão deturpada de nós mesmos, gera estresse, forte autocrítica, complexos e cada vez mais agrava a percepção distorcida. Esse quadro leva a uma preocupação exagerada com o espelho, uma preocupação obsessiva com a aparência, que na verdade é apenas reflexo de angústia e distúrbio psicológico podendo chegar a uma desordem dismórfica da autoimagem, fundindo-se com a psicopatologia, no qual a aparência adquire um enorme significado e o comportamento é afetado. Também pode acarretar outros distúrbios como: Distúrbios alimentares, depressão, fobias, abuso de álcool e abuso de drogas.

Desordem dismórfica da autoimagem é uma preocupação com um “defeito” discreto na aparência, real ou imaginado. Pessoas com esse problema não se comprometem, não enfrentam problemas, fogem das situações, transferem para outros a responsabilidade por tudo que lhe acontece. São pessoas insatisfeitas consigo mesma, que projetam a resolução dos seus problemas na aparência.

“Os vários sintomas corporais são mensagens da própria psique e está intimamente ligado aos complexos”  (Carl G. Jung)

Quando se conhece, valorizando-se nos aspectos positivos e aceitando-se nos aspectos negativos, podemos ir mudando-os um a um se quisermos, mas sempre no sentindo de buscarmos saúde e não pela imposição de um padrão massificado.

“O corpo não é um objeto no espaço, mas um processo no tempo. Somos um corpo que sente, pensa, imagina e sonha” (Stanley Keleman)

Sendo que saúde para a Organização Mundial da Saúde, "é um estado completo de bem-estar físico, mental e não mera ausência de moléstia ou enfermidade."
Assim, nossa imagem projetará nosso verdadeiro eu, realçando os aspectos positivos, nossas qualidades. Isso também não quer dizer que não devamos almejar a beleza. Buscar a beleza encoraja e promove uma autoimagem forte e positiva. Aumenta a autoestima e o bem estar. Pequenas alterações no exterior podem criar alterações extraordinárias no interior, já que ajudam a desenvolver a autoconfiança, mas não o transformam em outra pessoa.

domingo, 20 de junho de 2010

Transtorno Bipolar do Humor

O transtorno Bipolar do Humor, também conhecido como transtorno afetivo Bipolar (TAB), ou como antigamente Psicose Maníaca Depressiva (PMD) é um transtorno psiquiátrico relacionada ao humor ou afeto com episódios depressivos alternados com episódios maníacos ao longo da vida. Esse transtorno atinge cerca de 1,5% da população geral. É um distúrbio grave, porém por ter um quadro de sintomatologia consistente permite diagnóstico precoce, confiável e pode ser tratado. Apesar de não podermos falar em cura, podemos dizer que pode ser bem controlada através de medicamentos e psicoterapia podendo levar o indivíduo a ter uma vida normal. Isso dependerá muito da adesão do paciente ao tratamento continuo e da capacidade em realizar as mudanças no estilo de vida.

Essa oscilação de humor freqüente afeta não só o paciente, mas os amigos e principalmente os familiares. Podendo comprometer os relacionamentos, as finanças da família, a capacidade funcional social e ocupacional do portador. Ou seja, atinge a qualidade de vida de todos que estão em volta.

Esse transtorno se manifesta sob duas formas: Tipo I (com predomínio de episódios de mania) por cerca de 0,8% da população geral e a o Tipo II (predomínio de episódios depressivos)em cerca de 0,5% da população geral.
Mania como a psiquiatria a descreve não é a mesma que pensamos. Em nada tema haver com a tendência a repetir várias vezes a mesma coisa. Mania para a psiquiatria é caracterizada por um humor elevado, eufórico que dura pelo menos uma semana ou por muito mais tempo e apresenta-se com outros sintomas como: sensação de energia aumentada com aumento da atividade física e necessidade diminuída de sono; pensamento muito rápido, podendo não concluir uma idéia, emendando-a na outra sucessivamente (fuga-de-idéias). Ego inflado com sentimentos de grandiosidade, podendo acreditar que possui poderes especiais; irritabilidade anormal muito em parte ocasionada pelo aumento da percepção de estímulos externos. Aumento da libido e da atividade sexual, podendo se apresentar uma pessoa socialmente inconveniente. Euforia com forte pressão para falar ininterruptamente; juízo crítico deficiente e comportamento de risco aumentado, sem manifestar preocupação com a mesma. Por exemplo, uma pessoa em estado de mania pode pegar um carro e andar em velocidades altíssimas sem conseguir pará-lo ou diminuí-la.

A fase depressiva, de certa forma podemos descrevê-la como a oposta da mania. Humor depressivo, auto-estima baixa, capacidade física comprometida com grande sensação de cansaço. Pensamento lento e dificuldade na atenção. Perda do prazer de atividades antes agradáveis e baixa libido. A depressão do transtorno bipolar é igual a depressão recorrente que só se apresenta como depressão, mas uma pessoa deprimida do transtorno bipolar não recebe o mesmo tratamento do paciente bipolar.

Aguradem, em breve origem e tratamento da TAB


quarta-feira, 12 de maio de 2010

Síndrome do Pânico

É um estado da civilização moderna, sedenta por resultados, que cobra, oprime e tem pressa. Talvez por isso um número tão grande de pessoas tem sido acometido por esse mal. É um ataque repentino de pânico, no qual a pessoa desconecta-se do mundo e amplificam as sensações corporais de taquicardia, sudorese, dor no peito, medo de perder o controle, pernas fracas, contrações musculares, pressão na cabeça, falta de ar e formigamento. Ainda vivenciam a sensação de que o ambiente em que estão é estranho e perigoso. São sensações reais e o portador da síndrome acredita que esteja tendo um enfarto ou um derrame de tão sufocantes que elas se apresentam. A pessoa sente a morte eminente. Vivenciada sempre como uma situação limite, dramática. São manifestações físicas e psíquicas que reunidas e recorrentes formam o quadro sintomatológico da Síndrome do Pânico conforme reconhecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), CID-10 F41.0.

Contudo, esses sintomas podem ser conseqüentes apenas do estresse (em 80% das crises de pânico) e da ansiedade exacerbada e aguda sem fatores desencadeantes aparentes, principalmente após a realização de vários exames cardiológicos comprovando que não há nada errado com o coração. As crises geralmente duram minutos que parecem horas para quem as vivencia. Normalmente após a primeira crise ou ataque de Pânico a pessoa passa a ter medo de sentir medo. Devido a um processo de associação, a partir da primeira crise, qualquer estímulo interno (uma dor, tonteira, alterações nos batimentos cardíacos, etc) ou externo (um lugar, um cheiro, túnel, ônibus, metrô, etc) pode remeter à situação das crises anteriores e funcionarem como o elemento-índice, desencadeador de uma nova crise. Nesse sentido, fazendo parte de um procedimento defensivo para evitar que novas crises ocorram, vão se produzindo diferentes tipos de fobia e a vida cotidiana das pessoas acometidas dessa síndrome, vai se tornando restrita. De tal forma as limitações vão se impondo que o resultado é uma dramática incapacidade de dirigir a própria vida.

Dessa forma, indiscriminadamente, a pessoa portadora da síndrome do pânico começa a restringir alguns locais ou situações como dirigir, cozinhar etc que acredita serem os causadores da crise, passando a ter fobia e não mais pânico. Também pode começar a evitar lugares cheios ou fechados, passando a ser uma agarafobia.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Tipos de esquizofrenia


Como ocorre com a grande maioria dos transtornos mentais e demais psicopatologias, não se pode efetuar o diagnóstico através da análise de parâmetros fisiológicos ou bioquímicos. Ele é resultado apenas da observação clínica cuidadosa das manifestações do transtorno ao longo do tempo. Contudo, é importante que exclua-se outras doenças ou condições que possam produzir sintomas psicóticos semelhantes (abuso de drogas, epilepsia, tumor cerebral, alterações metabólicas). Assim, o diagnóstico da esquizofrenia é por vezes difícil de ser realizado. Mas, além do diagnóstico é importante que o profissional identifique qual é o subtipo de esquizofrenia.

Atualmente, segundo o DSM IV, existem cinco tipos:

Critérios Esquizofrenia Tipo Paranóide segundo DSM IV

  • Preocupação com um ou mais delírios ou alucinações auditivas freqüentes

  • Nenhum dos seguintes é proeminente: discurso desorganizado, comportamento desorganizado ou catatônico, ou afeto embotado ou inadequado

O tipo Paranóide, é a forma que mais facilmente é identificada com a doença, predominando os sintomas positivos. O quadro clínico é dominado por um delírio paranóide relativamente bem organizado. Os doentes com esquizofrenia paranóide são desconfiados, reservados, podendo ter comportamentos agressivos.

Critérios Esquizofrenia Tipo Desorganizado segundo DSM IV

Todos são proeminentes

  • Discurso desorganizado

  • Comportamento desorganizado

  • Afeto embotado ou inapropriado

  • Não são preenchidos critérios para Tipo Catatônico

O tipo Desorganizado, em que os sintomas afectivos e as alterações do pensamento são predominantes. As ideias delirantes, embora presentes, não são organizadas. Alguns doentes pode ocorrer uma irritabilidade marcada associada a comportamentos agressivos. Existe um contacto muito pobre com a realidade.

Critérios Esquizofrenia Tipo Catatônico segundo DSM IV

  • Imobilidade motora evidenciada por cataplexia (incluindo flexibilidade cérea ou estupor)

  • Atividade motora excessiva (aparentemente desprovida de propósito e não influenciada por estímulos externos)

  • Extremo negativismo (uma resistência aparentemente sem motivo a toda e qualquer instrução ou manutenção de uma postura rígida contra tentativas de mobilização) ou mutismo

  • Peculiaridade do movimento voluntário evidenciadas por posturas (adoção voluntária de posturas inadequadas ou bizarras), movimentos estereotipados, maneirismos proeminentes ou trejeitos faciais

  • Ecolalia ou ecopraxia

O tipo Catatónico, é caracterizada pelo predomínio de sintomas motores e por alterações da actividade, que podem ir desde um estado de cansaço e acinético até à excitação.

Critérios Esquizofrenia Tipo Indiferenciado segundo DSM IV

  • Não são preenchido critérios para os tipo paranóide, desorganizado ou catatônico.

O tipo Indiferenciado apresenta habitualmente um desenvolvimento insidioso com um isolamento social marcado e uma diminuição no desempenho laboral e intelectual. Observa-se nestes doentes uma certa apatia e indiferença relativamente ao mundo exterior.

Critérios Esquizofrenia Tipo Residual segundo DSM IV

  • Ausência de: delírios e alucinações, discurso desorganizado e comportamento amplamente desorganizado ou catatônico proeminente

Existe evidência contínua da perturbação, indicada pela presença de sintomas negativos ou dois ou mais sintomas relacionados com os critérios para Esquizofrenia presentes de forma atenuada (por ex. crenças estranhas, experiências perceptuais incomuns)

O tipo Residual, nesta forma existe um predomínio de sintomas negativos, os doentes apresentam um isolamento social marcado por um embotamento afectivo e uma pobreza ao nível do conteúdo do pensamento.

Existe também a denominada Esquizofrenia Hebefrênica, com incidência da adolescência, com o pior dos prognósticos em relação às demais variações da doença, e com grandes probabilidades de prejuízos cognitivos e sócio-comportamentais.

Estes subtipos não são estanques, em determinada altura da evolução do quadro, a pessoa pode apresentar aspectos clínicos que se identificam com um tipo de esquizofrenia, e ao fim de algum tempo poder reunir critérios de outro subtipo. Outro critério de classificação muito usado é a CID-10 (Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde). A CID é usada no Brasil e foi adotada como referência para profissionais de saúde do SUS; sua maior utilidade está na possibilidade de traçar perfis epidemiológicos que facilitem as esferas do governo no investimento em saúde.

Assunto relacionado: http://migre.me/6dsp6

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Sintomas da esquizofrenia


A esquizofrenia é um disturbio que afeta as emoções, o pensamento, as percepções e o comportamento. Os sintomas são: alterações do pensamento, alucinações (sobretudo auditivas), delírios e perda de contato com a realidade. Junto da paranoia (transtorno delirante persistente, na CID-10) e dos transtornos graves do humor (a antiga psicose maníaco-depressiva, hoje fragmentada na CID-10 em episódio maníaco, episódio depressivo grave e transtorno bipolar), as esquizofrenias compõem o grupo das psicoses.

A esquizofrenia se caracteriza essencialmente por uma fragmentação da estrutura básica dos processos de pensamento, acompanhada pela dificuldade em estabelecer a distinção entre experiências internas e externas. Embora primariamente uma doença que afeta os processos cognitivos[de conhecimento], os seus efeitos repercutem-se também no comportamento e nas emoções.

Os sintomas da esquizofrenia não são os mesmos de indivíduo para indivíduo, podendo aparecer de forma insidiosa e gradual que nem o paciente nem as pessoas próximas percebem que algo vai errado: só quando comportamentos abertamente desviantes se manifestam. O período entre a normalidade e a doença deflagrada pode levar meses. Mas há casos que ocorrem muito pelo contrário, manifestam-se de forma explosiva e instantânea, em questão de poucas semanas ou mesmo de dias. A pessoa muda seu comportamento e entra no mundo esquizofrênico. Assim, não há uma regra fixa quanto ao modo de início. Geralmente a esquizofrenia começa durante a adolescência ou quando adulto jovem.

 

Esse disturbio se caracteriza essencialmente por uma fragmentação da estrutura básica dos processos de pensamento, acompanhada pela dificuldade em estabelecer a distinção entre experiências internas e externas. Sendo que os seus efeitos repercutem-se também no comportamento e nas emoções. Os sintomas da esquizofrenia não são os mesmos de indivíduo para indivíduo. Estes podem ser divididos em duas grandes categorias: sintomas positivos e negativos.

Os sintomas positivos são aqueles que não deveriam estar presentes como as alucinações, e os negativos aqueles que deveriam estar presentes, mas estão ausentes, como o estado de ânimo, a capacidade de planejamento e execução, por exemplo. Portanto sintomas positivos não são bons sinais, nem os sintomas negativos são piores que os positivos.

Sintomas positivos

Os sintomas positivos estão presentes com maior visibilidade na fase aguda da crise:

As alucinações - as mais comuns nos esquizofrênicos são as auditivas. O paciente geralmente ouve vozes depreciativas que o humilham, xingam, ordenam atos que os pacientes reprovam, ameaçam, conversam entre si falando mal do próprio paciente. Pode ser sempre a mesma voz, podem ser de várias pessoas. Podem ser vozes de pessoas conhecidas ou desconhecidas, podem ser murmúrios e incompreensíveis, ou claras e compreensíveis.

Delírios- de longe os mais comuns na esquizofrenia são os persecutórios. São as idéias falsas que os pacientes têm de que estão sendo perseguidos, por exemplo, que está a ser perseguido pela polícia secreta, que querem matá-lo ou fazer-lhe algum mal. Os delírios podem também ser bizarros como achar que está sendo controlado por extraterrestres que enviam ondas de rádio para o seu cérebro. Ou acha que é o responsável pelas guerras do mundo. O delírio de identidade (achar que é outra pessoa) é a marca típica do doente mental que se considera Napoleão. No Brasil o mais comum é considerar-se Deus ou Jesus Cristo. Geralmente o esquizofrênico tem um pensamento e discurso desorganizado. Elabora frases sem qualquer sentido ou inventa palavras, assim como manifesta alterações do comportamento, como ansiedade, impulsos e agressividade.

 
Sintomas negativos

São o resultado da perda ou diminuição das capacidades mentais, acompanham a evolução da doença e refletem um estado deficitário ao nível da motivação, do discurso, do pensamento. Esse estado é muito comum, praticamente uma unanimidade nos pacientes depois que as crises com sintomas positivos cessaram.

Embotamento afetivo - As emoções não são sentidas como antes.

Isolamento social - O isolamento é praticamente uma conseqüência dos sintomas acima. Uma pessoa que não consegue sentir nem se interessar por nada, cujos pensamentos estão prejudicados e não consegue diferenciar bem o mundo real do irreal não consegue viver normalmente na sociedade.

Os sintomas negativos não devem ser confundidos com depressão. A depressão é tratável e costuma responder às medicações, já os sintomas negativos da esquizofrenia não melhoram com nenhum tipo de antipsicóticos. A grande esperança dos novos antipsicóticos de atuarem sobre os sintomas negativos não se concretizou, contudo esses sintomas podem melhorar espontaneamente

Você também vai gostar: http://migre.me/6dsuv

terça-feira, 13 de abril de 2010

Esquizofrenia

Hoje em dia, não mais é encarada como doença, mas como um transtorno do funcionamento cerebral, que se caracteriza classicamente por uma coleção de sintomas, os quais atingem todas as classes sociais, culturais, economicas e de generos.
De acordo com algumas estatísticas, a esquizofrenia atinge 1% da população mundial, manifestando-se habitualmente entre os 15 e os 25 anos de idade, nos homens e nas mulheres, podendo igualmente ocorrer na infância ou na meia-idade.
A origem ou causa da esquizofrenia ainda não está totalmente esclaredcida, mas sabe-se que é multifatorial, com um forte componente genético.

Teoria genética
A teoria genética admite que vários genes podem estar envolvidos, contribuindo juntamente com os fatores ambientais para o eclodir da doença. Pessoas sem nenhum parente esquizofrênico têm 1% de chances de virem a desenvolver esquizofrenia. Sabe-se que a probabilidade de um indivíduo vir a sofrer de esquizofrenia aumenta se houver um caso desta doença na família. Com algum parente distante essa chance aumenta para 3 a 5%. No caso de um dos pais sofrer de esquizofrenia, a prevalência da doença nos descendentes diretos é de 10 a 15%. Com um irmão esquizofrênico as chances aumentam para aproximadamente 20%, quando o irmão possui o mesmo código genético (gêmeo idêntico) as chances de o outro irmão vir a ter esquizofrenia são de 50 a 60%. Na situação em que ambos os pais se encontram atingidos pela doença, esse valor sobe para 40%.
No entanto, mesmo na ausência de história familiar, a doença pode ainda ocorrer.

Teoria neurobiológica
As teorias neurobiológicas defendem que a esquizofrenia é essencialmente causada por alterações bioquímicas e estruturais do cérebro, levando a um desequilíbrio neuroquímico em especial com uma disfunção dopaminérgica, embora alterações noutros neurotransmissores estejam também envolvidas no que se relacionam com comportamento, pensamento e senso-percepção. Essa teoria é a mais aceita, devido o sucesso das medicações atuarem através do bloqueio dos receptores (D2) da dopamina. A maioria dos neurolépticos (antipsicóticos) atua precisamente nos receptores da dopamina no cérebro, reduzindo a produção endógena deste neurotransmissor. Exatamente por isso, alguns sintomas característicos da esquizofrenia podem ser desencadeados por fármacos que aumentam a atividade dopaminérgica (ex: anfetaminas).
Teoria do Fluxo Sangüíneo Cerebral
As pessoas com esquizofrenia parecem ter dificuldade na "coordenação" das atividades entre diferentes áreas cerebrais. Por exemplo, ao se pensar ou falar, a maioria das pessoas mostra aumento da atividade nos lobos frontais, juntamente a diminuição da atividade de áreas não relacionadas a este foco, como a da audição. Nos pacientes esquizofrênicos observamos anomalias dessas ativações. Por exemplo, ativação da área auditiva quando não há sons (possivelmente devido a alucinações auditivas), ausência de inibição da atividade de áreas fora do foco principal, incapacidade de ativar como a maioria das pessoas, certas áreas cerebrais. A Tomografia por Emissão de Pósitrons mede a intensidade da atividade pelo fluxo sangüíneo: uma região cerebral se ativa, recebendo mais aporte sangüíneo, o que pode ser captado pelo fluxo sangüíneo local. Ela mostrou um funcionamento anormal, mas por enquanto não temos a relação de causa e efeito entre o que as imagens revelam e a doença: ou seja, não sabemos se as anomalias, o déficit do fluxo sangüíneo em certas áreas, são a causa da doença ou a conseqüência da doença.
As teorias familiares surgiram na década de 1950, apesar de terem bastante interesse histórico, são as que menos fundamento cientifico têm. Baseadas umas no tipo de comunicação entre os vários elementos das famílias e aparecendo outras mais ligadas às estruturas familiares. No entanto, estudos posteriores vieram desconfirmar esta hipótese, relacionando aquele comportamento naterno mais com etiologias neuróticas e não com a psicose.
Um exemplo de esquizofrênico famoso é o matemático americano John Forbes Nash, do filme Uma Mente Brilhante, que apesar do desafio de conviver por toda a vida com os sintomas típicos, foi um intelectual importante e deixou grandes contribuições às áreas de economia, biologia e teoria dos jogos.

Talvez por, também, atingir pessoas com “mentes protigiosas”, muito inteligêntes e por serem os sintomas pouco perceptiveis a quem tem pouco convínio ou não preste atenção nas mudanças, que o diagnostico é dificil e muitas vezes tardio. Contudo não há “cura” mas controle dos sintomas.



Você também vai gostar de: http://migre.me/6gsT1