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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Raiva, construtiva???






“...Nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo”

Mahatma Ganghi



Emoções... Por vezes difíceis de serem distinguidas, percebidas, entendidas, aceitas e muitas vezes, controladas. Mas, a verdade é que ela sempre está a nos rondar, influenciando nossas ações e interpretações dos fatos, queiramos ou não. Percebemos ou não.
Quem controla quem? Embaraçoso dizer, mas a maioria se deixa levar pelas emoções e a culpabiliza pelos seus atos, às vezes insanos. Outros creem que as têm sobre seu poder, mas apenas deslocam sua manifestação, que indiretamente e inconscientemente, se voltam contra quem às sente. Aparecem as doenças psicossomáticas.
Uma grande confusão, é fácil e frequentemente feita: sentimento e emoção, não são a mesma coisa. “Um sentimento é a construção de uma estrutura emocional vivenciada”. As emoções são respostas neuro-hormonais e os sentimentos são essas emoções refletidas, analisadas e conceitualizadas, podendo haver transformações na forma do individua se relacionar com o meio.
Algumas emoções são inerentes ao ser humano. Todo e qualquer ser humano as sentem, mesmo quando quer nega-las. Uma delas é a raiva. Todos sentem em algum momento da vida. E os ditos populares são partes de verdade e expressam muito bem alguns fatos, por exemplo, “ninguém gosta de engolir sapo”. Neste caso, o sapo ao qual se refere, é a raiva. E quando não engolida e nem analisada, acaba por causar estragos no meio, nos relacionamentos e muitas vezes sendo até perigosa por levar à ações violentas e impensadas, o que é pior. Contudo, igualmente péssimo é quando a raiva engolida. Porém, agora o estrago é contra quem as sente, atacando o coração através de uma hipertensão, a tireoide, os rins e até mesmo, propiciando um pacote completo de todas essas doenças e mais outras, algumas irreversíveis, como a diabetes, com a obesidade.
Sim, a raiva engorda! Além de a raiva acelerar a produção da adrenalina, o que nos prepara para fuga ou ataque, “na raiva ocorre uma elevação do açúcar no sangue, numa antecipação” ao gasto calórico necessário para o consumo dos músculos em uma das ações já citadas, ocasionando também um desequilíbrio da fome/saciedade.
Aqui gostaria de fazer uma distinção, que julgo importante. A emoção é a reação neuro-hormonal de um fato ocorrido contra nós. Este fato pode ser a ação de outrem impedindo a realização de algo que almejamos ou palavras deferidas contra nós.
A nossa resposta a essas ações, diferencio em: instintivas quando não percebida a tempo de serem analisada e refletidas provocando manifestações inadequadas de ações de agressividade verbal, fugindo ou atacando fisicamente e até mesmo quando nos paralisamos (a engolimos). E, humanas quando transformadas em sentimentos. As emoções quando percebidas e analisadas levam a ações construtivas ou não, a depender do nosso livre-arbítrio, mas não são instintivas, são elaboradas, planejadas e por isso podendo ser produtivas e criativas.
Chamo de humanas porque apenas nos humanos possuímos o córtex pré-frontal no qual ocorrem as ações intelectuais e racionais. Porém, para que esse trânsito químico-hormonal todo seja realizado, é necessário que o autor das emoções tenha um olhar interno, no qual consiga se aperceber das próprias emoções, as matrizes biológicas, a tempo de desviar o transito da ação para o pensamento, impedindo o prejuízo para si mesmo.
Quando não acionamos, através do pensar, do raciocínio o córtex pré-frontal, o hipotálamo, estrutura que regula o sistema endócrino e além do equilíbrio da pressão arterial, fome, saciedade e desejo sexual, trabalha em desarmonia as impressões sensitivas internas e externas não obtendo uma resposta adequada, deixando de ser construtiva.  
Assim sendo, se não quisermos adoecer, ao nos darmos conta de alguma sensação, usemos do tempo para reconhecermos qual emoção sentimos, analisarmos o que ela quer nos dizer e por fim, pensarmos na melhor estratégia a ser usada.
Podemos planejar uma ação vingativa, como Hitler, mas essa, ainda que pareça satisfatória, é apenas momentânea e novamente a insatisfação se voltará contra si. Ou podemos, como muitos líderes, Thomas Edison, Charlie Chaplin e outros que usaram a raiva por ter vivenciado historias trágicas para alavancarem sua vida. Mas para tal é preciso senti-la, reconhecê-la e transformá-la, criando algo que lhe agrade.

 


Fonte: Psiquê Ano IV No. 80 João Oliveira
 

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Para todo o sempre


A tentação em resolver o excesso de peso sem esforço e em curto espaço de tempo é enorme e difícil de resistir, ainda mais sabendo que “gordinhos(as)” tendem a buscar “soluções mágicas”e que querem “ser emagrecidos” e não emagrecer assumindo e se comprometendo com o processo e mudanças necessárias para obtenção do resultado desejado, criou-se os shakes. Com a promessa de serem substitutos nutritivos e de baixa caloria para as refeições, os shakes foram criados em 1980 nos EUA, com a promessa de conseguir acabar com a guerra contra balança. Contudo, uma dieta equilibrada e não restritiva é fundamental para alcançar e, principalmente, manter o peso ideal a longo prazo, acabando com o indesejado “efeito sanfona”.


Sefundo, o Dr. Antonio Herbert Lancha Jr. Chefe do Laboratório de Nutrição e Metabolismo Aplicado à Atividade Motora da Universidade de São Paulo (USP), não é recomendável tomar esses shakes por conta própria, sem orientação, deve-se consultar uma Nutricionista, além de um Endocrinologista. Ainda assim, mesmo sob orientação o uso do Shakes deve ser limitado a uma refeição por dia. E as demais refeições devem ser completas, de modo a suprir as carências nutricionais.

Dr. Lancha Jr., ainda pondera que “o uso do Shake não corrige os problemas causados por uma alimentação irregular e de má qualidade. Passado algum tempo, se não houver reeducação alimentar, a pessoa volta a engordar”.

O porquê se come errado que deve ser investigado e tratado. A mudança necessária para se levar uma vida saudável que devem ser estudadas para que a perda de peso e manutenção do peso adquirido se mantenham para todo o sempre.

De nada adianta querer restringir ao máximo os alimentos, já que ninguém aguenta viver em privação apara sempre. E que ainda consiga, terá perda de nutrientes importantes, uma vez que nenhum nutriente deve ser excluído, seja ele carboidratos, lipídios, proteínas, gorduras, vitaminas ou minerais. Todos são importantes e cumprem uma função para o organismo dentro das medidas e quantidades certas.

O engorda e emagrece constante, além de dificultar cada vez mais o emagrecimento, ainda pode levar a variação de pressão arterial, problemas de glicemia, resistência à insulina e colesterol alterado. O melhor é a reeducação alimentar.

A nutricionista Cíntia C. Gimenes, alerta que “o emagrecimento rápido e sem orientação, pode causar perda de massa muscular, água, eletrólitos e minerais em vez de gordura, além de desregular o metabolismo, ficando mais lento”. É importante considerar as diferenças individuais e alterar a rotina, para tratar o sobrepeso e obesidade com adoção de uma vida mais ativa e uma dieta equilibrada, não por um curto espaço de tempo, mas para todo o sempre.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A Guerra da Indústria das Guloseimas contra Direito do consumidor e sociedades Médicas


A escalada da obesidade Infantil no Brasil vem preocupando autoridades da Saúde Publica, que estudam regulamentar ainda mais a publicidade infantil de alimentos com alto teor de gordura, sódio e açúcar bem como de bebidas com baixo teor nutricional.



O aumento dos índices de obesidade infantil é alarmante e de certo que as propagandas não são as únicas vilãs, mas ainda assim, tudo que puder ser feito para diminuir esse índice vale a pena ser feito. Se pensarmos que a influência desse ou daquele fator é pequena nossas crianças continuarão engordando e ficando doentes cada vez mais.

O Código Brasileiro de Publicitária do Conar, um dos mais rígidos do mundo, já diz que “quando os produtos forem destinados às crianças, sua publicidade deverá abster-se de qualquer estímulo imperativo de compra.” Mas um projeto que tramita no Senado quer limitar os horários para veiculação de comerciais de alimentos “engordativos” entre 21h e 6h, seguidos de alertas sobre risco do consumo excessivo dos produtos.

Florianópolis e Belo Horizonte, tomaram a frente e proibiram a venda de alimentos com brindes colecionáveis como as redes de fast food oferecem incentivando as crianças a comerem mais. E quem resiste? Até eu, uma adulta que já entrou na casa dos “enta”, já pedi o lanche infantil só para ficar com os brindes, imaginem uma criança que não tem discernimento, senso crítico em relação ao anuncio, a comida e ao malefício que lhe fará? Ela apenas pensa na diversão, na alegria que o brinquedo, o brinde lhe trará. O apelo é tão envolvente, que lógico, que influência diretamente na escolha do produto pela criança.

Estudos realizados mostram que o aumento de mais de 200% na incidência de sobrepeso entre crianças de cinco a nove anos nos últimos 30 anos, não é apenas devido às propagandas. Inúmeros fatores contribuem, sendo o maior deles a genética, seguida pelos hábitos familiares entre outros fatores externos.

“A publicidade induz o filho a pedir”, mas é o adulto que libera e provê o alimento à criança. Essa permissividade pode ser explicada pela culpa da ausência dos pais no dia-a-dia da criança, pela falta de tempo em olhar e cuidar melhor da criança. Também pode ser explicada por ser um hábito também incorporado pela modernidade e comodismo do adulto. “Não adianta proibir refrigerante e colocar a garrafa na mesa”. A criança incorpora novos hábitos e condutas mais pelo exemplo do que pela palavra, pela ordem. Especialista sobre o assunto, obesidade, concordam que proibir não é um bom negócio. Por vezes pode aumentar ainda mais a vontade e o descontrole com aquele determinado alimento. Além do exemplo, o melhor é persuadir a criança a experimentar e optar por outros alimentos.

Quando há uma criança obesa na família, a família inteira deve ser tratada para que haja sucesso no emagrecimento daquele indivíduo. Não só a dieta alimentar deva ser igual para todos os membros da casa, como analisar os valores dados aos alimentos. Se os adultos estão usando-os de maneira adequada, servindo para nutrir ou se o alimento está servindo como premio e castigo. Enfim, a dinâmica familiar deve ser observada e adequada para que a criança emagreça de forma saudável.


Fonte: Equilibrio da Folha de S.Paulo, 07/08/2012 matéria de Juliana Alves

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Paradoxos


Brasil, o país do paradoxo: mais de 45 milhões de pessoas desnutridas e/ou com anemias, levam o governo federal a criar o Fome Zero e do outro lado mais de 70 milhões, por volta de 40% da população adulta (IBGE) apresentam excesso de peso, sendo que encontramos mais de 8% de homens e mais de 12% de mulheres com obesidade em algum grau.

São aproximadamente 80 mil mortes associadas à obesidade. Não se trata de estética ou pré-conceito, mas de saúde. É ledo engano achar que um gordo pode ser saudável. Não por muito tempo. Com o avançar dos anos irá adquirir alguma doença associada que poderia ser evitada caso mantivesse o peso normal.

A obesidade pode ter início em qualquer época da vida. Contudo é notório que a obesidade infantil esteja aumentando vertiginosamente. Segundo OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) nos últimos 20 anos houve um aumento de 240% de obesidade entre crianças e adolescentes brasileiros.

A obesidade infantil se inicia com os pais, mesmo que estes não apresentem excesso de peso ou obesidade. Estima-se que 30% da gordura corpórea sejam de determinação genética. Herda-se uma pré-disposição, uma probabilidade, mas é um ambiente facilitador que disponibiliza a manifestação da obesidade. Alguns pediatras creditam a obesidade ao desmame precoce que pode levar a introdução inadequada de alimentos suplementares. Porém o desmame tardio, pode igualmente levar ao aumento de peso pela dependência e associação da comida com alguns estados emocionais desfavoráveis. Para o Ministério da Saúde, o Brasil está passando por um período de transição nutricional. Trata-se do abandono de hábitos alimentares saudáveis (o consumo de frutas, verduras e cereais), e da adoção de uma dieta pobre nutricionalmente, rica em sal, açúcar, gorduras e poucas fibras.

Hoje temos muito mais conforto, variedade de produtos e melhores condições de adquiri-las. Mas, exatamente esses fatores em conjunto com menor número de filhos por casal ou filhos únicos, pais tardios e o ingresso da mulher no mercado de trabalho acaba favorecendo a uma superalimentação como forma de superproteção. Na adolescência, o fator mais relevante encontrado foi o sedentarismo estimulado principalmente pelos adventos da modernidade e pela falta de segurança.

O paradoxo está também na questão econômica: quanto maior o poder aquisitivo, maior a obesidade, principalmente entre homens (principalmente entre os executivos) e adolescentes. Curioso é que, os alimentos mais saudáveis são mais caros para serem adquiridos e demandam mais trabalho para serem consumidos, remetendo-nos ao antigo preceito de acumulo de riquezas representado pelo acumulo de gordura corporal.

Entre as mulheres ocorre exatamente o contrário. A obesidade é mais frequente entre as mulheres de menor renda. E aqui novamente podemos supor que estão envolvidos conceitos cristalizados da mulher magra como símbolo de competência e sucesso profissional contrastando com o símbolo de mulher dona-de-casa e corpo corpulento.

Outro fator interessante a ser notado é que a concentração de pessoas com excesso de peso, esta localizada, na sua grande maioria, nas cidades, nos centros urbanos, nas quais se encontra maior oferta de trabalhadores domésticos, fácil acesso aos produtos saudáveis e diversidade de centros de emagrecimentos como médicos, academias, spas e outros.

Tanto o maior poder de renda e a urbanização encontram-se na região sudeste e sul do país, a mesma na qual se encontram o maior número de obesos.










quinta-feira, 29 de março de 2012

Automutilação



Diferentemente do que pode parecer, esse não é um ato praticado para chamar a atenção. Nem ao menos é o suicídio. Em menos de 1% dos jovens que se mutilam e a intenção desses atos era o suicídio. Muito pelo contrário. A maioria que se automutila, um em cada 12 adolescentes, comumente mulheres entre 15 e 24 anos, costumam cobrir seus cortes, batidas e queimaduras com as roupas e só são descobertos por acaso. Em geral, é a tentativa de aliviar uma dor emocional, angústia, raiva ou frustrações. Também, menos frequente, pode ser praticada como substituição de dores corpóreas. Isto é, uma dor maior para substituir uma dor menor.

Um estudo realizado no King`s College, em Londres e na Universidade de Melbourne, na Austrália, com 1.802 adolescentes acompanhados por 16 anos foi publicado na revista médica “Lancet”, afirma que menos de 1% dos jovens que se mutilavam, nantinham esse comportamento quando adultos, levando os pesquisadores a concluírem que, na maioria dos casos, o problema se resolve espontaneamente. Contudo isso não significa que seja dispensável tratamento, pois a automutilação está associada a doenças psiquiátricas como depressão, transtorno Bipolar, Síndrome do pânico, Anorexia, Bullying, epilepsia, ansiedade generalizada e merece receber atenção. Dar broncas e represálias ao descobrir esse comportamento dos filhos só piora o quadro. O melhor é recorrer à ajuda médica a fim de ser avaliado e tratado, já que alguns fatores de risco podem estar associados. Além da depressão e ansiedade já citados, abuso de álcool, uso de maconha, família desestruturada, histórico de agressão física na infância, personalidade impulsiva e saber que algum conhecido pratica a automutilação.

O automutilador tende a ter grandes dificuldades para se expressar verbal ou emocionalmente, portanto, não consegue falar publicamente sobre suas angústias nem chorar diante de outras pessoas, por vezes nem quando estão sozinhas. Essa dificuldade de expressão acaba, em muitos casos, sendo um forte fator que desencadeia o comportamento automutilador. Não possui amor próprio e usualmente define a si mesmo como sendo "um lixo humano". Desse modo, alguns tendem a se afastar da família e dos amigos.

Como acontece em outras compulsões, após cessar com a ação de mutilar-se, sentem-se extramente culpados e envergonhados da sua atitude. Alguns abandonam qualquer tipo de atividade em que seja necessária a exibição do corpo, como ir à praia ou a um clube, para que seus cortes e cicatrizes permaneçam ocultas e, desse modo, não tenham que falar sobre o problema. Não possui qualquer expectativa com relação ao futuro, pois se considera incapaz de alcançar qualquer coisa realmente boa. E ainda que consiga não é o bastante para que abandone as práticas autoagressivas, o que faz com que retorne à mesma falta de expectativas a respeito da vida.

Alguns indivíduos afirmam que escrever (textos, poemas, contos, músicas, etc.) lhes parece de grande ajuda, como uma forma de expressar suas emoções, o que não conseguem fazer de outras formas. Desse modo, a necessidade de se automutilar diminui significantemente.

Quando o indivíduo consegue superar a doença, o primeiro problema com que se depara é a sensação de vazio. Muitos ex-automutiladores afirmam que se tornaram incapazes de qualquer sentimento comum ao ser humano, como ódio, raiva, indignação, medo, insegurança, alegria, amor, etc. Sentem-se apáticos e desinteressados com relação a qualquer assunto que os rodeie. "Se alguém morresse ao meu lado, eu não daria a mínima" é uma sentença que bem traduz esse estado de espírito. Tal sensação tem sido observada em vários indivíduos, porém, não se estende por muito tempo. Ainda que tenha alguma recaída, o ex-automutilador tende a sentir cada vez menos falta do comportamento autoagressivo e, com o tempo, o abandona completamente.

Cicatrizes próximas podem ser sinal de problema. Uma forma comum de AM envolve fazer cortes na pele dos braços, nas pernas, coxas e abdômen. Os locais de lesão são, geralmente, áreas escondidas de uma possível detecção por outras pessoas. O número de métodos automutilantes se restringe à criatividade do indivíduo.

Exemplos de formas de automutilação, além de se cortar:

• Esmurrar-se, chicotear-se

• Morder as próprias mãos, lábios, língua, ou braços

• Apertar ou reabrir feridas (Dermatotilexomania)

• Arrancar os cabelos (Tricotilomania)

• Queimar-se, incluindo com cigarro, produto químicos (por exemplo, sal e gelo)

• Furar-se com agulhas, arames, pregos, canetas

• Beliscar-se,

• Ingerir agentes corrosivos, alfinetes

• Envenenar-se, medicar-se (por exemplo, exagerar na dose de remédios e/ou álcool), sem intenção de suicídio.

• bater a própria cabeça contra a parede,

A associação psicoterapia e medicação tem se mostrado eficaz nos casos de automutilação. A psicoterapia, nestes casos, tem como um dos objetivos ajudar o paciente a identificar outras formas de lidar com frustrações que sejam mais eficazes do que seu comportamento. Ainda não há medicação específica indicada para que o paciente pare de se mutilar, entretanto, a medicação pode ser indicada para alívio dos sintomas depressivos e ansiosos que podem colaborar para a manutenção do comportamento.

O ideal é procurar um bom profissional, um psicólogo ou psiquiatra, que possa identificar as causas do problema no paciente e tratá-las

O automutilador necessita, sobretudo, do apoio da família e dos amigos.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Respeito é bom e eu quero


Vivemos num mundo de diferenças e diferentes. Ninguém é igual a ninguém. Mas ainda assim, somos feitos do mesmo “pó”.

São exatamente essas diferenças e diferentes que nos torna fortes e faz do nosso mundo, um mundo rico, colorido, alegre, harmonioso e rítmico. É a diferença manifestada nos diversos diferentes que dá Vida e Existência à plenitude.

E ainda assim, diante de tamanha beleza, insistimos em reduzir o mundo ao “mundo de cada um”, egoisticamente querendo padronizar, todo e qualquer modo, ao “nosso modo”.

Sermos narcisista, querendo que tudo e todos sejam iguais à nós é a origem de discórdia, brigas e conflitos. Impedimos assim a livre manifestação de cada um que, a princípio é exatamente o que admiramos, nos encanta e nos apaixona.

Todos nós somos constituídos de um conjunto de Timina, Adenina, Citosina e Guanina e ainda assim NINGUÉM é igual a ninguém. Não encontramos uma única replica idêntica à outra, graças a combinações entre si de 220 milhões de pares de base.

A resultante das diversas, variadas e DIFERENTES combinações desses pares entre si é que nos leva à filogenia, à evolução das espécies. Ou seja, evoluímos, nos tornamos seres melhores à medida que nos misturamos, interagimos e apreendemos com um diferente.

Um exemplo bem simples para ilustrar a resultante da composição de elementos bem diferentes, sem que cada um perca sua característica específica, é a de dois gases que são muito utilizados na combustão, como o oxigênio e o hidrogênio, quando unidos possuem uma nova característica bem própria que nos permite usa-los para o combate ao fogo, ao formarem a água.

"Cada criatura" escreveu Goethe, "é apenas uma gradação padronizada (Schattierung) de um grande todo harmonioso."

Pensamos ser deuses e esquecemos que Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gênesis 1:26). Contudo, isso não necessariamente quer dizer que todos tenham que ser iguais. Tendo a Natureza como a melhor representação de Deus, unindo a hipótese de Gaia (deusa grega, Terra), basta que a conheçamos, para nos conhecermos.

Como descrito anteriormente, se fossemos todos iguais (partes idênticas e não apenas semelhantes) não formaríamos, não conseguiríamos nos compor e criarmos outra estrutura mais complexa.

A Vida se manifesta sempre em redes, na qual os sistemas estão todos interligados, indo dos mais simples aos mais complexos formando outro organismo vivo. E para mim, tudo é vivo, até mesmo a pedra, a mesa, a parede, pois qualquer substancia existente é constituída por átomos, o qual sempre se encontra em movimento. E Vida para mim é movimento.

Assim, “sistemas vivos são estruturas complexas que exibem características muito próprias, que "emergem" do conjunto formado por elementos possíveis de serem diferenciados. Por exemplo: pessoas e animais são formados por órgãos que são formados por células que, por sua vez, são formadas por vários elementos moleculares, alguns deles extremamente complexos, e estes, por fim, formados de átomos perfeitamente comuns e, em grande medida (senão na sua totalidade), igualmente presentes em todas as espécies de seres vivos. Ora, embora tenhamos a mesmíssima base atômica, ninguém vai dizer que existe uma igualdade funcional entre, por exemplo, uma rosa e um gato, ou entre um carvalho e um homem, muito embora, em essência, a estrutura do código da vida seja basicamente a mesma entre todos.

Ou seja, valorizemos o outro sem querer modifica-lo, saibamos apreender com o diferente para sermos alguém melhor, e através do exemplo, se conseguirmos, nos fazer útil para evolução do outro.







segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O Belo


Platão foi o primeiro a formular explicitamente a pergunta e moldar uma resposta. O que é o Belo? O belo é identificado com o bem, com a verdade e a perfeição. Para ele, o Belo existe independentemente do mundo concreto. O belo pertence ao “mundo das ideias”, da criação. O Belo era um ideal que não pertencia ao humano, aos traços individuais e a manifestação das suas emoções. A verdade é que o ideal de beleza sempre existiu e já foi pautado em proporções ideias matemáticas, relações geométricas fixas.


Para Aristóteles: “o belo não pode ser desligado do humano, está em nós” E se é do humano, é volátil, temporal e cultural. Está intrínseco valores e representações e por essa razão variam conforme o tempo, país e crença da época.

O Belo feminino e desejado já pertenceu as “gorduchinhas” com acentuadas curvas corpulentas que simbolizavam fartura.



 
  “As três graças”, obra-prima de Rubens no séc. XVII, hoje estariam mais para “as três desgraças”, por termos atualmente um ideal estético feminino que se aproxima das formas esguias e com músculos definidos da arte greco-romana.
 
 
Madona do cravo de  Leonardo da Vinci
 
 
 A modelo Isabeli Fontana com os filhos mostrando corpo esguio

O modelo de beleza hoje representa uma pessoa bem sucedida, autônoma, moderna, controlada, inteligente, jovem, atlética e saudável. Essa tensão psicológica, reforçada pelas mídias com bombardeio de imagens, reforçam ideologia do ter, fazendo-as reféns da opinião alheia e de imagens muitas vezes irreais, esquecendo os próprios valores e quem são.  


Especificamente, se falarmos da estética do corpo, estaremos falando de um universo único, particular e personalizado, que pensa, sente, fala e se movimenta de maneira que lhe é própria e peculiar, ou seja, será ainda mais variável. A estética do corpo está intimamente ligada a autoimagem e autoestima de cada um. Daí a importância em se ter um bom autoconhecimento para termos uma autoimagem mais próxima da real.
A imagem de cada corpo é a imagem que, consciente ou inconscientemente, fazemos de nós mesmos e queremos que os outros acreditem que somos.
O corpo, ou nossa imagem, resume quem somos física, social e intelectualmente.
A imagem corporal se desenvolve durante toda a vida, do nascimento até a morte. É uma estrutura complexa e subjetiva, de reconstrução incessante, resultante do processamento de estímulos externos advindos da aceitação dos outros, principalmente os pais e da nossa própria aceitação.
Nossas características físicas apesar de serem herdadas, hoje podem ser levemente modificadas e também voluntariamente interagimos com o mundo, influenciando-o e modificando a forma de ser e estar através de maquiagens, ginásticas e cirurgias plásticas.

Quando temos uma visão deturpada de nós mesmos, gera estresse, forte autocrítica, complexos e cada vez mais agrava a percepção distorcida. Esse quadro leva a uma preocupação exagerada com o espelho, uma preocupação obsessiva com a aparência, que na verdade é apenas reflexo de angústia e distúrbio psicológico podendo chegar a uma desordem dismórfica da autoimagem, fundindo-se com a psicopatologia, no qual a aparência adquire um enorme significado e o comportamento é afetado. Também pode acarretar outros distúrbios como: Distúrbios alimentares, depressão, fobias, abuso de álcool e abuso de drogas.

Desordem dismórfica da autoimagem é uma preocupação com um “defeito” discreto na aparência, real ou imaginado. Pessoas com esse problema não se comprometem, não enfrentam problemas, fogem das situações, transferem para outros a responsabilidade por tudo que lhe acontece. São pessoas insatisfeitas consigo mesma, que projetam a resolução dos seus problemas na aparência.

“Os vários sintomas corporais são mensagens da própria psique e está intimamente ligado aos complexos”  (Carl G. Jung)

Quando se conhece, valorizando-se nos aspectos positivos e aceitando-se nos aspectos negativos, podemos ir mudando-os um a um se quisermos, mas sempre no sentindo de buscarmos saúde e não pela imposição de um padrão massificado.

“O corpo não é um objeto no espaço, mas um processo no tempo. Somos um corpo que sente, pensa, imagina e sonha” (Stanley Keleman)

Sendo que saúde para a Organização Mundial da Saúde, "é um estado completo de bem-estar físico, mental e não mera ausência de moléstia ou enfermidade."
Assim, nossa imagem projetará nosso verdadeiro eu, realçando os aspectos positivos, nossas qualidades. Isso também não quer dizer que não devamos almejar a beleza. Buscar a beleza encoraja e promove uma autoimagem forte e positiva. Aumenta a autoestima e o bem estar. Pequenas alterações no exterior podem criar alterações extraordinárias no interior, já que ajudam a desenvolver a autoconfiança, mas não o transformam em outra pessoa.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Sonho – Um Universo Simbólico


“Sonho que se sonha só é apenas um sonho. Sonho que se sonha junto é realidade” Jonh Lenon


Muito além da poesia e do desejo em possibilidade que se expressa como sonho, o sonho possui significados diversos dependendo de quem o conta.
Para a ciência, é uma experiência necessária e fisiológica de imaginação necessária para aliviar tensões durante o período de sono. Sabe-se que todos sonham. Até os bebês no útero sonham, só não se sabe com o que.

Em algumas culturas e religiões, o sonho tem poderes premonitórios ou até mesmo de uma expansão da consciência.

Freud em 1900 deu um caráter científico ao sonho, publicando o livro “A Interpretação dos Sonhos”, definindo o conteúdo dos sonhos como a realização de um desejo reprimido escondido por uma fachada, sendo o sentido latente descoberto através da interpretação dos símbolos.

Para Jung, os sonhos não são apenas revelações oprimidas, mas parte integrante de um Ser Total e não fracionado. De um Ser Integrado que busca constante equilíbrio das forças, psicológicas e mentais, inconsciente e consciente, que por meio da compensação tenta revelar ao consciente a força em desequilíbrio.

O Ser Humano não nasce pronto, ainda que em potencia seja Integrado e não misturado, Individuado e não egoísta. Nasce inconsciente da sua natureza, passando por processos de conscientização de quem é. Apesar de ser um processo individual, ele não está só. Na busca do equilíbrio ele conta com personagens arquetípicos que se apresentam nos sonhos. Ainda que para Jung, os sonhos sejam também uma linguagem simbólica, ele é transformador da energia psíquica inconsciente. Se o simbolismo é inconfessável para o próprio sujeito, ele sentirá solidão, tristeza e angustia. E quando não é expresso simbolicamente algo que está escondido no inconsciente aparece em forma de doença.

Assim, uma pessoa que não simboliza, adoece. A doença vem como último recurso de equilíbrio.
Um símbolo é um sinal investido de emoção, intermediário entre o consciente e o inconsciente.

E não se preocupem, TODOS sonham. Sabem-se através de estudos em laboratórios que os sonhos são um fenômeno ativo que se desencadeia em intervalos regulares e cíclicos durante o sono, como também para a vida de vigília. E os Neurofisiologistas concluíram que não sonhar é mais prejudicial que não dormir.

Para Jung, os significados dos sonhos são particulares e individuais cabendo apenas ao sonhador dar significado a elas. “O sonho é o teatro onde o sonhador é ao mesmo tempo o ator, a cena, o ponto, o regente, o autor, o publico e o crítico”.

Os sonhos são estudados em séries, sendo a analise de um único sonho de muito pouca importância. São estudadas através de associações, interpretações, imaginação ativa e a relação das imagens dos sonhos com a dinâmica interna.

Ainda os sonhos podem prever o futuro pelas suas interpretações, tendo “grande credibilidade em religiões judaico-cristãs, como consta no torá e na bíblia que Jacó, José e Daniel receberam de Deus a habilidade de interpretar os sonhos. No Novo Testamento, São José é avisado em sonho pelo anjo Gabriel de que sua esposa traz no ventre uma criança divina, e depois da visita dos Reis Magos um anjo em sonho o avisa para fugir para o Egito e quando seria seguro retornar à Israel.

E outras histórias na Irlanda co São Patrício, no Islamismo com Alah. E também René Descartes e Friedrich August Kekulé Von Stradonitz, tiveram em sonhos visões reveladoras. Kekulé, por exemplo sonhou com uma cobra mordendo a cauda e propôs a fórmula hexagonal do benzeno, materia prima basica para muitos compsotos orgânicos importantes.



E você, o quanto está dando de importância aos seus sonhos?


Leia também: http://migre.me/6gVK4



terça-feira, 9 de setembro de 2008

Imagem Corporal


O que é a imagem corporal?
Segundo alguns autores é: "o desenho que formamos na nossa mente, do nosso próprio corpo; ou a forma como o vemos " (Shilder, 1980);
"é a representação interna da aparência externa" (Thompson, 1999);
"O esquema corporal ou imagem corporal, é a imagem tridimensional que todos têm de si mesmos.". (Schilder, idem)
Assim sendo, a imagem corporal é a representação mental que fazemos do nosso próprio corpo e a forma como acreditamos que os outros nos vêem. Também podemos dizer que a imagem corporal é o conceito que cada pessoa tem de seu corpo e suas partes.
A imagem corporal está em constante mudança, se transformando, aperfeiçoando, complementando, desde o nascimento até a morte. Essa constante mudança é resultante do processamento de estímulos que vem do meio em que vivemos e pelas situações que experimentamos. Ela também está intimamente ligada com o conhecimento que temos das partes do corpo e da relação dos movimentos e funções com as partes, além do reconhecimento do espaço que o corpo utiliza. Ela é transformada pelos valores que possuímos e estes são influenciados pela nossa educação, pela cultura que nos rodeia, pela sociedade, pelas pessoas queridas do nosso ciclo social, pelas experiências pessoais e individuais de cada um e principalmente pela auto-estima.
Pessoas insatisfeitas com sua imagem corporal, com distorções da imagem corporal correm sérios riscos de desenvolverem transtornos alimentares. E o contrário, segundo Bruch (1973) também é verdadeiro, “pacientes com transtornos alimentares freqüentemente apresentam dificuldades no nível da percepção.”