quarta-feira, 23 de maio de 2012

Aproxima ou distancia



Em 24 de maio de 1844, nascia o avo da internet. Samuel Morse emite a primeira mensagem telegráfica, enviada de Washington a Baltimore. Em 1872, o continente americano já era cruzado por mais de 300 mil quilômetros de linhas.
Desde que o Homem existe, já era vivo o desejo em se comunicar. Apesar de diversos interesses em comunicar-se, que podem ser para aproximar, conhecer e unir pessoas, defender a comunidade ou elevar ao sucesso sua empresa, é indiscutível que é uma ferramenta de grande interesse e valor.
Na Antiguidade, os povos utilizavam-se de artifícios naturais e de engenhosidade mais simples pra comunicar-se: Acendiam fogueiras, faziam sinais de fumaça. Os tambores com diferentes tipos e ritmos de batidas, significando coisas diferentes. Os sinos, usados nas igrejas e templos, podendo através de seu toque, significar a hora do culto que se aproxima ou a morte de alguém. Ou nas ferrovias para sinalizar o início e o fim da jornada dos trabalhos diários. Nos ranchos a sineta significava hora da refeição e o gongo nos ringues de lutas para anunciar o fim dos rounds.
A corneta nos exércitos para ordenar o ataque.

Mas tudo se transforma, muda e evolui...

Muitos sinais eram feitos, contudo quando e tratava de longas distâncias esses recursos não possuíam grande eficiência. Descobertas foram feitas que encurtavam distâncias, como a corrente elétrica, em 1747 por Willian Watson. Em 1800, o médico espanhol Francisco Salvá, provou que as correntes voltaicas poderiam ser utilizadas para a emissão de sinais. Tal fato levou Salvá a ser considerado um dos pioneiros na aplicação prática da eletricidade para fins de comunicação. Salvá inventou também um tipo de telégrafo elétrico constituído por fios (cada um correspondendo a uma letra), por vasos de água nas extremidades e por uma pilha de Volta. A letra transmitida era detectada pela formação de bolhas gasosas formadas no vaso correspondente à letra. As bolhas eram obtidas por eletrólise da água. Com este sistema conseguiu enviar mensagens até um quilômetro de distância. Desde então o telégrafo sofreu vários aprimoramentos, mas foi o pintor Samuel F. B. Morse que projetou a construção de um aparelho telegráfico registrador e estabeleceu os princípios relativos a seu código de pontos, traços e intervalos, com base na presença ou ausência de impulsos elétricos.

Do telégrafo para “impressora”.

Por volta de 1915, foi inventado um sistema em que a máquina perfuradora de fita tinha um teclado acoplado, assim como na recepção que também tinha um sistema perfurador de fita com teclado. Este sistema dispensava a intervenção do operador e, além disso, a fita era lida por uma decifradora que imprimia a mensagem numa fita de papel gomada. Em 1931, a empresa americana ATT (American Telephone and Telegraph) criou um sistema de comunicação utilizando uma máquina de escrever telegráfica (TWX) ou teleimpressora, permitindo escrever em folha de papel.

Do telégrafo para o rádio.

Clerk Maxwell, físico inglês, demonstrou certa vez que o éter servia de meio de propagação aos fenômenos elétricos e luminosos. Concluiu que o ar poderia conduzir a luz e a eletricidade a longas distâncias. Mais tarde, outro físico - Hertz - realizava nova descoberta importante: a existência das ondas elétricas, análogas às luminosas, hoje conhecidas como "ondas hertzianas". Tais descobertas, tomadas como fonte de estudo para Marconi, resultaram na radio telegrafia.

Estabeleceu-se, assim, a comunicação entre a Europa e a América, através do Oceano Atlântico. Aproximando continentes.

O telégrafo envelhecia enquanto a comunicação transformava-se, modernizava-se. O conhecimento da eletricidade e do magnetismo tornou a comunicação mais rápida e fácil. Em seguida, outros meios de comunicação foram inventados, com destaque para o telefone, rádio, televisão, pager, fax, celular e internet por meio dos e-mails e agora as inúmeras redes sociais.
Todos eles são bastante utilizados em várias partes do mundo, proporcionando o diálogo e a troca de informações entre pessoas de diferentes pontos do planeta.
Assim, a comunicação vem aproximando as pessoas, recriando um ambiente de relacionamento humano – ainda que à distância e desprovida do “contato pessoal presencial” (GAIARSA, 1984), nem por isso irreal ou desprovida de afeto.



quarta-feira, 16 de maio de 2012

O que te faz feliz?






Até parece propaganda de supermercado, não é? Sim é verdade, temos uma propaganda bem parecida. Mas não, não estou me referindo ao supermercado, mas ao que os cientistas do mundo todo vêm estudando e realizando pesquisas para responder. Aparentemente simples de ser respondida a nível individual, pessoal. Mas, ao tratarmos num âmbito nacional e até internacional, contamos com a ajuda de cientistas do mundo todo para obtermos essa resposta. Esse é um dos temas do Rio+20, conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável.

O que te faz feliz? Assunto subjetivo? Pode ser, mas essa onda está de volta, querendo invadir nosso dia-a-dia. Porém, não mais de forma romântica, “mágica” ou religiosa. Dessa vez, ela vem consistentemente baseada na ciência, podendo ser até quantificada.

Felicidade Interna Bruta – F.I.B. – desde 1970 já é utilizada por alguns países da Ásia como o Butão para medir o progresso e bem-estar de um país. Para alguns economistas, professores da Fundação Getúlio Vargas, o P.I.B., Produto Interno Bruto, é uma medida rústica, já que o aumento de renda, pode não significar um aumento do bem-estar na mesma proporção. Diversas nações que durante os últimos 50 anos, se esforçaram em aumentar suas riquezas e a produção de bens materiais, não obtiveram o crescimento do bem-estar como até hoje era profetizado. Ao contrário, o que experienciaram e o que vemos são nações deprimidas, sendo a depressão o 4º maior problema se saúde pública, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Será que por sermos a 6º economia do mundo, somos um país feliz?

Usando nove eixos como: Vitalidade Comunitária, Diversidade Cultural, Uso do Tempo, Boa Governança, Diversão Ecológica, Saúde, Educação, Bem-Estar Psicológico, Bem-Estar, que se desdobram em 33 indicadores que compõem o Índice de Felicidade Interna Bruta utilizada por Butão, nossos cientistas estão realizando seus estudos, utilizando também outros indicadores usados, por exemplo, por Londres, para adaptarem esse índice para realidade brasileira. 
Uma das maiores colaboradoras aqui no Brasil nesse assunto é a Doutora Susan Andrews, norte-americana radicalizada no Brasil desde 1992, fundadora e coordenadora do Instituto Visão do Futuro em Porangaba (SP) e desde 2007 coordena o movimento Felicidade Interna Bruta (FIB) aqui no Brasil.Algumas cidades, como Bento Gonçalves que já adotam na Gestão Pública conceitos da F.I.B.




quinta-feira, 29 de março de 2012

Automutilação



Diferentemente do que pode parecer, esse não é um ato praticado para chamar a atenção. Nem ao menos é o suicídio. Em menos de 1% dos jovens que se mutilam e a intenção desses atos era o suicídio. Muito pelo contrário. A maioria que se automutila, um em cada 12 adolescentes, comumente mulheres entre 15 e 24 anos, costumam cobrir seus cortes, batidas e queimaduras com as roupas e só são descobertos por acaso. Em geral, é a tentativa de aliviar uma dor emocional, angústia, raiva ou frustrações. Também, menos frequente, pode ser praticada como substituição de dores corpóreas. Isto é, uma dor maior para substituir uma dor menor.

Um estudo realizado no King`s College, em Londres e na Universidade de Melbourne, na Austrália, com 1.802 adolescentes acompanhados por 16 anos foi publicado na revista médica “Lancet”, afirma que menos de 1% dos jovens que se mutilavam, nantinham esse comportamento quando adultos, levando os pesquisadores a concluírem que, na maioria dos casos, o problema se resolve espontaneamente. Contudo isso não significa que seja dispensável tratamento, pois a automutilação está associada a doenças psiquiátricas como depressão, transtorno Bipolar, Síndrome do pânico, Anorexia, Bullying, epilepsia, ansiedade generalizada e merece receber atenção. Dar broncas e represálias ao descobrir esse comportamento dos filhos só piora o quadro. O melhor é recorrer à ajuda médica a fim de ser avaliado e tratado, já que alguns fatores de risco podem estar associados. Além da depressão e ansiedade já citados, abuso de álcool, uso de maconha, família desestruturada, histórico de agressão física na infância, personalidade impulsiva e saber que algum conhecido pratica a automutilação.

O automutilador tende a ter grandes dificuldades para se expressar verbal ou emocionalmente, portanto, não consegue falar publicamente sobre suas angústias nem chorar diante de outras pessoas, por vezes nem quando estão sozinhas. Essa dificuldade de expressão acaba, em muitos casos, sendo um forte fator que desencadeia o comportamento automutilador. Não possui amor próprio e usualmente define a si mesmo como sendo "um lixo humano". Desse modo, alguns tendem a se afastar da família e dos amigos.

Como acontece em outras compulsões, após cessar com a ação de mutilar-se, sentem-se extramente culpados e envergonhados da sua atitude. Alguns abandonam qualquer tipo de atividade em que seja necessária a exibição do corpo, como ir à praia ou a um clube, para que seus cortes e cicatrizes permaneçam ocultas e, desse modo, não tenham que falar sobre o problema. Não possui qualquer expectativa com relação ao futuro, pois se considera incapaz de alcançar qualquer coisa realmente boa. E ainda que consiga não é o bastante para que abandone as práticas autoagressivas, o que faz com que retorne à mesma falta de expectativas a respeito da vida.

Alguns indivíduos afirmam que escrever (textos, poemas, contos, músicas, etc.) lhes parece de grande ajuda, como uma forma de expressar suas emoções, o que não conseguem fazer de outras formas. Desse modo, a necessidade de se automutilar diminui significantemente.

Quando o indivíduo consegue superar a doença, o primeiro problema com que se depara é a sensação de vazio. Muitos ex-automutiladores afirmam que se tornaram incapazes de qualquer sentimento comum ao ser humano, como ódio, raiva, indignação, medo, insegurança, alegria, amor, etc. Sentem-se apáticos e desinteressados com relação a qualquer assunto que os rodeie. "Se alguém morresse ao meu lado, eu não daria a mínima" é uma sentença que bem traduz esse estado de espírito. Tal sensação tem sido observada em vários indivíduos, porém, não se estende por muito tempo. Ainda que tenha alguma recaída, o ex-automutilador tende a sentir cada vez menos falta do comportamento autoagressivo e, com o tempo, o abandona completamente.

Cicatrizes próximas podem ser sinal de problema. Uma forma comum de AM envolve fazer cortes na pele dos braços, nas pernas, coxas e abdômen. Os locais de lesão são, geralmente, áreas escondidas de uma possível detecção por outras pessoas. O número de métodos automutilantes se restringe à criatividade do indivíduo.

Exemplos de formas de automutilação, além de se cortar:

• Esmurrar-se, chicotear-se

• Morder as próprias mãos, lábios, língua, ou braços

• Apertar ou reabrir feridas (Dermatotilexomania)

• Arrancar os cabelos (Tricotilomania)

• Queimar-se, incluindo com cigarro, produto químicos (por exemplo, sal e gelo)

• Furar-se com agulhas, arames, pregos, canetas

• Beliscar-se,

• Ingerir agentes corrosivos, alfinetes

• Envenenar-se, medicar-se (por exemplo, exagerar na dose de remédios e/ou álcool), sem intenção de suicídio.

• bater a própria cabeça contra a parede,

A associação psicoterapia e medicação tem se mostrado eficaz nos casos de automutilação. A psicoterapia, nestes casos, tem como um dos objetivos ajudar o paciente a identificar outras formas de lidar com frustrações que sejam mais eficazes do que seu comportamento. Ainda não há medicação específica indicada para que o paciente pare de se mutilar, entretanto, a medicação pode ser indicada para alívio dos sintomas depressivos e ansiosos que podem colaborar para a manutenção do comportamento.

O ideal é procurar um bom profissional, um psicólogo ou psiquiatra, que possa identificar as causas do problema no paciente e tratá-las

O automutilador necessita, sobretudo, do apoio da família e dos amigos.

sexta-feira, 23 de março de 2012

S.O.S Papais


Em 20 anos a taxa de sobrepeso infantil mais que dobrou. Estamos construindo uma tragédia futura, uma geração de adultos doentes, obesos, hipertensos e diabéticos.


Uma em cada três crianças com idade entre 5 e 9 anos apresenta peso acima do recomendado pela OMS(Organização Mundial de Saúde), segundo pesquisa do IBGE. O sobrepeso atinge hoje, 34,8% dos meninos e 32% das meninas. Já a obesidade aparece em 16,6% dos meninos e 11,8% das meninas. Entre Os jovens de 10 a 19 anos 20% eram obesos. Entre as crianças e adolescentes, a velocidade do aumento do excesso de peso está muito maior do que nos adultos. Isso tem haver com múltiplos fatores, genéticos, culturais e sociais. Contudo, a obesidade se inicia com os pais, mesmo que estes não apresentem excesso de peso ou obesidade.

A obesidade se inicia com os pais não só porque estes são modelos para as crianças e pela força da genética, mas porque podem sentir dificuldade em identificar as necessidades do bebê, condicionando-o a receber alimento frente a qualquer mal estar, além da fome criando uma dependência emocional e associação da comida com estados emocionais, reforçado ainda mais pelo desmame tardio. Igualmente prejudicial é o desmame precoce, porém pela introdução inadequada de alimentos suplementares.

Para o Ministério da Saúde, o Brasil está passando por um período de transição nutricional. Trata-se do abandono de hábitos alimentares saudáveis (o consumo de frutas, verduras e cereais), e da adoção de uma dieta pobre nutricionalmente, rica em sal, açúcar, gorduras e poucas fibras. O que se vê é uma inversão nutricional.

Além dessa inversão nutricional, existem questões culturais e sociais que contribuem para o desenvolvimento dos distúrbios psicodinâmicos instalados nos hábitos infantis. A questão cultural e até econômica levam as crianças e os jovens a passarem mais tempo sozinhos sem supervisão de um adulto tendo livre acesso e a disposição um arsenal de alimentos industrializados como bolachas, chocolates, balas, danones etc. que são consumidos na quantidade e na hora que bem entendem, na maioria das vezes sem critérios adequados, usando como referência a vontade. Muitas vezes esses alimentos são consumidos para substituírem a presença e carinho das mães que, hoje, trabalham fora. E a questão social, permeia o crescimento da metrópole, na qual todos andam com pressa, acelerados e a falta de segurança, confinando cada vez mais as crianças dentro de casa, aumentando o sedentarismo, já que as crianças ficam sentadas, presas em frente a TV, computadores e videogames.

Mudar o hábito alimentar é complexo, e campanhas ajudam, mas não bastam, é necessário acompanhamento multidisciplinar. O tratamento da obesidade infanto-juvenil para obter sucesso deve contar com a colaboração dos adultos. Os pais, professores e profissionais multidisciplinares. O tratamento inicia-se na reeducação alimentar familiar. Os pais além de servirem de exemplo para os filhos são os responsáveis pelo que entra em casa e vai para o prato da criança. A presença de obesidade familiar determina não só uma tendência genética, mas uma preferência por alimentos mais gordurosos e uma dieta mais calórica. Cabe aos pais influenciar seus filhos sobre a ingestão e crença alimentar, estratégias de autocontrole e suporte social para combater o excesso de peso. Apesar de ser importante, não basta as escolas ensinarem e oferecerem a criança uma alimentação saudável desde os primeiros anos de vida, período no qual ocorre a formação do hábito alimentar, se em casa só lhe é oferecido alimentos pouco nutritivos. É mais eficiente em longo prazo influenciar na qualidade do alimento do que na quantidade. Influenciar na reeducação alimentar, sugerindo alimentos mais nutritivos e menos calóricos, traz resultados mais satisfatórios devido à alteração do hábito alimentar e porque treina a criança e/ou adolescente a perceber a própria saciedade. A promoção do hábito alimentar saudável em crianças deve ser continua para prevenir a obesidade e garantir uma alimentação com qualidade ao longo da vida.



Fonte: site ABC da Obesidade, Jornal Folha de S.Paulo, C4 (06/03/12) e Jornal Folha de Alphaville (15/03/12)

Leia mais sobre obesidade infantil: http://migre.me/8oQ06

Doenças associadas infantis: http://migre.me/8oQ6M

Aspectos psicológicos da obesidade infantil: http://migre.me/8oQ8n

E tratamentos à obesidade infantil: http://migre.me/8oQ9v









sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Respeito é bom e eu quero


Vivemos num mundo de diferenças e diferentes. Ninguém é igual a ninguém. Mas ainda assim, somos feitos do mesmo “pó”.

São exatamente essas diferenças e diferentes que nos torna fortes e faz do nosso mundo, um mundo rico, colorido, alegre, harmonioso e rítmico. É a diferença manifestada nos diversos diferentes que dá Vida e Existência à plenitude.

E ainda assim, diante de tamanha beleza, insistimos em reduzir o mundo ao “mundo de cada um”, egoisticamente querendo padronizar, todo e qualquer modo, ao “nosso modo”.

Sermos narcisista, querendo que tudo e todos sejam iguais à nós é a origem de discórdia, brigas e conflitos. Impedimos assim a livre manifestação de cada um que, a princípio é exatamente o que admiramos, nos encanta e nos apaixona.

Todos nós somos constituídos de um conjunto de Timina, Adenina, Citosina e Guanina e ainda assim NINGUÉM é igual a ninguém. Não encontramos uma única replica idêntica à outra, graças a combinações entre si de 220 milhões de pares de base.

A resultante das diversas, variadas e DIFERENTES combinações desses pares entre si é que nos leva à filogenia, à evolução das espécies. Ou seja, evoluímos, nos tornamos seres melhores à medida que nos misturamos, interagimos e apreendemos com um diferente.

Um exemplo bem simples para ilustrar a resultante da composição de elementos bem diferentes, sem que cada um perca sua característica específica, é a de dois gases que são muito utilizados na combustão, como o oxigênio e o hidrogênio, quando unidos possuem uma nova característica bem própria que nos permite usa-los para o combate ao fogo, ao formarem a água.

"Cada criatura" escreveu Goethe, "é apenas uma gradação padronizada (Schattierung) de um grande todo harmonioso."

Pensamos ser deuses e esquecemos que Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gênesis 1:26). Contudo, isso não necessariamente quer dizer que todos tenham que ser iguais. Tendo a Natureza como a melhor representação de Deus, unindo a hipótese de Gaia (deusa grega, Terra), basta que a conheçamos, para nos conhecermos.

Como descrito anteriormente, se fossemos todos iguais (partes idênticas e não apenas semelhantes) não formaríamos, não conseguiríamos nos compor e criarmos outra estrutura mais complexa.

A Vida se manifesta sempre em redes, na qual os sistemas estão todos interligados, indo dos mais simples aos mais complexos formando outro organismo vivo. E para mim, tudo é vivo, até mesmo a pedra, a mesa, a parede, pois qualquer substancia existente é constituída por átomos, o qual sempre se encontra em movimento. E Vida para mim é movimento.

Assim, “sistemas vivos são estruturas complexas que exibem características muito próprias, que "emergem" do conjunto formado por elementos possíveis de serem diferenciados. Por exemplo: pessoas e animais são formados por órgãos que são formados por células que, por sua vez, são formadas por vários elementos moleculares, alguns deles extremamente complexos, e estes, por fim, formados de átomos perfeitamente comuns e, em grande medida (senão na sua totalidade), igualmente presentes em todas as espécies de seres vivos. Ora, embora tenhamos a mesmíssima base atômica, ninguém vai dizer que existe uma igualdade funcional entre, por exemplo, uma rosa e um gato, ou entre um carvalho e um homem, muito embora, em essência, a estrutura do código da vida seja basicamente a mesma entre todos.

Ou seja, valorizemos o outro sem querer modifica-lo, saibamos apreender com o diferente para sermos alguém melhor, e através do exemplo, se conseguirmos, nos fazer útil para evolução do outro.







segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O Belo


Platão foi o primeiro a formular explicitamente a pergunta e moldar uma resposta. O que é o Belo? O belo é identificado com o bem, com a verdade e a perfeição. Para ele, o Belo existe independentemente do mundo concreto. O belo pertence ao “mundo das ideias”, da criação. O Belo era um ideal que não pertencia ao humano, aos traços individuais e a manifestação das suas emoções. A verdade é que o ideal de beleza sempre existiu e já foi pautado em proporções ideias matemáticas, relações geométricas fixas.


Para Aristóteles: “o belo não pode ser desligado do humano, está em nós” E se é do humano, é volátil, temporal e cultural. Está intrínseco valores e representações e por essa razão variam conforme o tempo, país e crença da época.

O Belo feminino e desejado já pertenceu as “gorduchinhas” com acentuadas curvas corpulentas que simbolizavam fartura.



 
  “As três graças”, obra-prima de Rubens no séc. XVII, hoje estariam mais para “as três desgraças”, por termos atualmente um ideal estético feminino que se aproxima das formas esguias e com músculos definidos da arte greco-romana.
 
 
Madona do cravo de  Leonardo da Vinci
 
 
 A modelo Isabeli Fontana com os filhos mostrando corpo esguio

O modelo de beleza hoje representa uma pessoa bem sucedida, autônoma, moderna, controlada, inteligente, jovem, atlética e saudável. Essa tensão psicológica, reforçada pelas mídias com bombardeio de imagens, reforçam ideologia do ter, fazendo-as reféns da opinião alheia e de imagens muitas vezes irreais, esquecendo os próprios valores e quem são.  


Especificamente, se falarmos da estética do corpo, estaremos falando de um universo único, particular e personalizado, que pensa, sente, fala e se movimenta de maneira que lhe é própria e peculiar, ou seja, será ainda mais variável. A estética do corpo está intimamente ligada a autoimagem e autoestima de cada um. Daí a importância em se ter um bom autoconhecimento para termos uma autoimagem mais próxima da real.
A imagem de cada corpo é a imagem que, consciente ou inconscientemente, fazemos de nós mesmos e queremos que os outros acreditem que somos.
O corpo, ou nossa imagem, resume quem somos física, social e intelectualmente.
A imagem corporal se desenvolve durante toda a vida, do nascimento até a morte. É uma estrutura complexa e subjetiva, de reconstrução incessante, resultante do processamento de estímulos externos advindos da aceitação dos outros, principalmente os pais e da nossa própria aceitação.
Nossas características físicas apesar de serem herdadas, hoje podem ser levemente modificadas e também voluntariamente interagimos com o mundo, influenciando-o e modificando a forma de ser e estar através de maquiagens, ginásticas e cirurgias plásticas.

Quando temos uma visão deturpada de nós mesmos, gera estresse, forte autocrítica, complexos e cada vez mais agrava a percepção distorcida. Esse quadro leva a uma preocupação exagerada com o espelho, uma preocupação obsessiva com a aparência, que na verdade é apenas reflexo de angústia e distúrbio psicológico podendo chegar a uma desordem dismórfica da autoimagem, fundindo-se com a psicopatologia, no qual a aparência adquire um enorme significado e o comportamento é afetado. Também pode acarretar outros distúrbios como: Distúrbios alimentares, depressão, fobias, abuso de álcool e abuso de drogas.

Desordem dismórfica da autoimagem é uma preocupação com um “defeito” discreto na aparência, real ou imaginado. Pessoas com esse problema não se comprometem, não enfrentam problemas, fogem das situações, transferem para outros a responsabilidade por tudo que lhe acontece. São pessoas insatisfeitas consigo mesma, que projetam a resolução dos seus problemas na aparência.

“Os vários sintomas corporais são mensagens da própria psique e está intimamente ligado aos complexos”  (Carl G. Jung)

Quando se conhece, valorizando-se nos aspectos positivos e aceitando-se nos aspectos negativos, podemos ir mudando-os um a um se quisermos, mas sempre no sentindo de buscarmos saúde e não pela imposição de um padrão massificado.

“O corpo não é um objeto no espaço, mas um processo no tempo. Somos um corpo que sente, pensa, imagina e sonha” (Stanley Keleman)

Sendo que saúde para a Organização Mundial da Saúde, "é um estado completo de bem-estar físico, mental e não mera ausência de moléstia ou enfermidade."
Assim, nossa imagem projetará nosso verdadeiro eu, realçando os aspectos positivos, nossas qualidades. Isso também não quer dizer que não devamos almejar a beleza. Buscar a beleza encoraja e promove uma autoimagem forte e positiva. Aumenta a autoestima e o bem estar. Pequenas alterações no exterior podem criar alterações extraordinárias no interior, já que ajudam a desenvolver a autoconfiança, mas não o transformam em outra pessoa.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Vira, Vira, Vira, Virou…

Curiosidade… é o que acaba levando muito jovens, crianças recém ingressas na adolescência a darem o primeiro gole. Esse “batismo” no mundo do álcool tem ocorrido entre os 13 e 17 anos, em média aos 15 anos de idade. Assustadoramente, 37% dos entrevistados contam que beberam antes dos 13 anos de idade. E 28% dos jovens dizem terem experimentado bebidas alcoólicas em casa e 19% estavam com os pais quando o fizeram. Mesmo aqueles que não bebem em casa, 58% dizem que seus sabem que eles bebem. Mas se bebida alcoólicas são proibidas para menores de idade, como e o que levam esses jovens a beberem? Antes dessa nova lei e fiscalização (mais importante do que a própria lei), muitos estabelecimentos acabavam vendendo bebidas sem a apresentação de documentos. Ou o menor comprava através de algum maior de idade. Mas a razão que os leva a beber em 54% foi a curiosidade e 40% a diversão como maior incentivo. Alguns também relataram a pressão de amigos para beberem e se sentirem pertencentes ao grupo, sendo que 54% deles estavam com amigos no 1º gole. O principal prejuízo em ingerir álcool nessa faixa etária é que “o sistema nervoso está em desenvolvimento e o álcool pode inibir esse desenvolvimento”. Além do mal que possa fazer a si mesmo, ingerir álcool aumenta o comportamento de risco, inerente ao adolescente, ficando fortíssimo tendo como consequências o sexo sem preservativo (+ de 6%) e acidentes de carro envolvendo mortes por dirigir bêbado. Quase metade deles já dirigiu após beber ou pegaram carona com alguém que estava bêbado. Mesmo sabendo as implicações nocivas dessa atitude, 31% dos jovens dizem beberem até passarem mal.

Além desses males, que já seriam razões suficientes para um consumo consciente, o álcool regular associado ao fumo tem maior risco de câncer de boca, faringe, laringe e esôfago. Sendo que bebedores e fumantes associados têm 12 vezes mais chances de desenvolver um câncer, principalmente o de esôfago, do que alguém que só fuma ou só bebe. E nesta pesquisa estamos considerando apenas 1 lata de cerveja por dia e um cigarro/charuto ao dia.

Do consumo social ao alcoolismo pode ser “um pulo”. Nunca se sabe quando um evoluirá para o outro. Um a cada três bebedores abusivos vai se tornar um doente crônico, conforme classificação da OMS.

Depois de experimentar a primeira dose de álcool, 3 entre 5 se tornaram bebedores regulares. Um em cada cinco desses bebedores se tornará um abusador e por fim, 1 a cada 3 que abusam de álcool se tornará dependente.

Os limites entre o uso regular e o abusivo não são perceptíveis facilmente, principalmente porque existe no Brasil uma cultura conhecida internacionalmente como “fiesta Drinking”que é beber no fim de semana em quantidades excessivas e ficar embriagado. Muitas gente começa bebendo apenas nos fins de semana e depois passa a beber no meio da semana, passa do seu limite e começa a perder o “passo da realidade”, não consegue identificar seus sentimentos e vai desenvolvendo a dependência aos poucos. Sem se dar conta a pessoa cria estratégias e rituais para afirmar, para si e para os outros, que não perdeu o controle, que ela pode parar na hora que quiser. Ela muda hábitos e rotinas, por vezes até o circulo de amigos e o convívio com a família, excluindo coisas necessárias para incluir a bebida. Mas não é o que acontece. A dependência só é percebida quando se tenta parar e não consegue.

Porque é difícil sair da dependência sozinho?

Primeiramente por que beber é um hábito socialmente aceito. Segundo por que num primeiro momento o álcool aumenta a atividade da dopamina, neurotransmissor ligado ao prazer. No cérebro a região que reconhece essa sensação é ativada pela dopamina, o que leva a repetição da ação. O Hipocampo, por sua vez guarda apenas as memórias boas relacionadas ao álcool, apagando os micos e demais coisas desagraveis que ocorrem. Marcando o beber com resultado de prazer (reforço positivo). Posteriormente, com o tempo o cérebro precisa de níveis mais altos de dopamina para funcionar, levando a pessoa a ingerir mais doses. E assim, o vício está instalado. Mesmo que a pessoa queira parar, sozinha, dificilmente ela conseguirá porque ocorrem as crises de abstinência, que variam de tremores, sudorese até insônia, náuseas e vômitos de 6 a 48 horas após o último gole. A abstinência pode se tornar perigosa quando a pessoa apresenta confusão mental, alucinações e até convulsões. São sintomas do delirium tremens e começa dentro de 48 a 96 horas após a última dose.

Dessa forma, todo tratamento deve ser acompanhado por profissionais especializados no assunto, algumas vezes fazendo uso de medicação para controle dos sintomas e até de internação.



Leia também: http://migre.me/72sD7